Bolsonaro chega a 3 meses de governo priorizando Economia e militares

Em 90 dias, agenda do presidente mostra articulação quase exclusiva com próprio partido e poucos encontros com vice-presidente da República

atualizado 01/04/2019 14:44

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Em 90 dias como chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PSL) teve como prioridades os assuntos e setores ligados à Economia, pasta comandada por Paulo Guedes, e às Forças Armadas. É o que indica a agenda pública de compromissos e reuniões do presidente da República.

Companheiro de chapa nas eleições e vice-presidente do peesselista, o general Hamilton Mourão (PRTB), encontrou-se poucas vezes com Bolsonaro: foram só 11 reuniões com o presidente; e apenas três delas a sós – as demais, os chefes do Executivo federal estavam acompanhados de subordinados.

Levantamento realizado pelo Metrópoles aponta que uma das principais críticas à gestão de Bolsonaro, a articulação política, teve espaço na agenda do presidente nos últimos três meses. Entretanto, a maior parte dos encontros envolveu pessoas de seu próprio partido, o PSL.

A reportagem não levou em consideração as diversas agendas “privadas” do presidente da República. Apesar de Bolsonaro participar de eventos, dar entrevistas e até mesmo encontrar políticos nos primeiros 90 dias no Planalto, muitos desses compromissos não constam nos dados públicos, disponíveis para que qualquer cidadão possa consultar. 

Desde o dia 1º de janeiro, quando assumiu a cadeira de presidente, Bolsonaro teve pelo menos 21 reuniões com a equipe econômica ou pessoas ligadas à pasta. Já os militares se encontraram com o chefe do Executivo federal pelo menos 20 vezes.

Apesar das duas alas serem as mais privilegiadas na agenda pública de Bolsonaro, o ministro que mais esteve com ele durante esse período foi o aliado de primeira hora e chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS). O gaúcho despachou com o presidente pelo menos 57 vezes – contadas aí as audiências reservadas, reuniões coletivas e encontros semanais com todos os ministros.

O general da reserva e ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, foi o segundo ministro mais recebido por Bolsonaro. Foram 51 encontros entre os dois. 

Na outra ponta da frequência no gabinete presidencial, sete ministros estão entre os menos presentes na lista de compromissos. Tiveram menos de cinco reuniões para despachos com o chefe Tereza Cristina (Agricultura), Osmar Terra (Cidadania), Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e Roberto Campos Neto (Banco Central).

Damares se encontrou apenas duas vezes com o presidente, em reuniões que tiveram também a presença da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O único encontro com Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, em janeiro, também não foi exclusivo.

Os dados disponíveis também mostram os encontros entre Bolsonaro e o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebbiano; o atual titular da pasta, Floriano Barbosa – que está de saída do Executivo –, e o empresário Fábio Wajngarten, que vai assumir o posto nos próximos dias.


Generais e economia
O levantamento considerou como agendas militares aquelas nas quais Bolsonaro, acompanhado ou não de outros ministros, se encontrou com os chefes das três Forças (Exército, Marinha e Aeronáutica), delegados federais e militares de diversas patentes.

O chefe da pasta da Defesa, Fernando Azevedo e Silva – que é general do Exército –, esteve pelo menos 25 vezes com o presidente da República, seja a sós ou com outras pessoas.

Além de Augusto Heleno e Fernando Azevedo, outro general que teve presença constante em reuniões com Bolsonaro foi Carlos Alberto dos Santos Cruz, responsável pela Secretaria de Governo. Foram 27 encontros com o chefe do Executivo federal nos últimos 90 dias.

Paulo Guedes, chefe da pasta da Economia e figura principal da reforma da Previdência em discussão no Congresso, se encontrou 12 vezes com o presidente ao longo dos últimos três meses.

As 21 agendas de Bolsonaro voltadas à economia reuniram auxiliares ligados ao ministério de Guedes, empresários, cerimônias de posse ou com a presença dos presidentes do Banco Central, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Caixa e do Banco do Brasil – Roberto Campos Neto, Joaquim Levy, Pedro Guimarães e Rubem Novaes, respectivamente –, além de ministros do Tribunal de Contas da União (TCU).

 

Articulação na bolha
Legisladores tiveram um espaço considerável na agenda do chefe do Executivo, mas com pouca diversidade. Ele fez cerca de 40 reuniões com 28 deputados federais e estaduais, bem como ex-deputados. Do total, 18 – quase dois terços – são do partido do presidente, o PSL.

O congressista mais assíduo na agenda é o líder do governo na Câmara, deputado Major Vítor Hugo (PSL-GO). Escolhida há pouco mais de um mês como líder do governo no Congresso Nacional, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) foi sete vezes ao Planalto despachar com o presidente. Parlamentares de PSD, MDB, DEM, PSDB, PHS, PP, Podemos e PSC também estiveram no terceiro andar do Palácio do Planalto (local do gabinete presidencial).

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com quem Bolsonaro protagonizou embates públicos na semana passada, teve três agendas oficiais com o chefe do Executivo federal. Com senadores, Bolsonaro manteve 24 agendas, com 13 parlamentares diferentes.

Na lista de congressistas recebidos oficialmente estão os três filhos do presidente que estão na política. Primogênito de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) teve o mesmo espaço que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP): seis encontros oficiais com o presidente da República.

Carlos, o filho do meio, atualmente vereador no Rio de Janeiro pelo PSC do estado, esteve com o pai três vezes desde quando o capitão assumiu o comando do país – foram as únicas vezes que o presidente recebeu vereadores. Já o caçula, Eduardo, que é deputado federal pelo PSL-SP, foi duas vezes ao Planalto. O filho deputado acompanhou o pai em duas viagens oficiais ao exterior: foi ao Chile e aos Estados Unidos. O filho senador está com Bolsonaro na viagem a Israel

Em seus primeiro trimestre no Palácio do Planalto, Bolsonaro também abriu a agenda para governadores. Recebeu seis que o apoiaram na corrida presidencial: os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB); do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC); do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), de Roraima, Antonio Denarium (PSL), de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM); e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

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