Bolsonaro chama Tedros Adhanom, diretor da OMS, de pessoa controversa

Presidente também desmereceu presença de indígena na abertura da COP26, da qual o mandatário brasileiro não participou

atualizado 03/11/2021 15:01

agenda presidente jair bolsonaro Evento de lançamento do Programa Nacional de Crescimento Verde no Palácio do Planalto 6Igo Estrela/Metrópoles

Em conversa com apoiadores nesta quarta-feira (3/11), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, é uma pessoa controversa”. O mandatário brasileiro se reuniu no último domingo (31/10), em Roma, na Itália, com o diretor da OMS na cúpula de líderes do G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo.

Bolsonaro questionou, de forma retórica, se um apoiador vacinaria seus dois filhos. Não responda: você tem duas crianças aqui, vão ser vacinadas? Ouçam o Tedros, da OMS. Ele é uma pessoa controversa também, mas ele fala sobre essas questões.”

Na conversa que teve com Adhanom, Bolsonaro questionou a posição da organização sobre o lockdown, ressaltou que não se vacinou contra a Covid e afirmou que a OMS deveria emitir uma nota afirmando ser contrária à vacinação de crianças.

A OMS não indica a vacinação de crianças, no momento, por falta de dados sobre a segurança dos imunizantes nesse público. Em sua página na internet, a organização afirma que “mais evidências são necessárias sobre o uso das diferentes vacinas contra Covid-19 em crianças para poder fazer recomendações gerais sobre a vacinação de crianças contra Covid-19”.

O diretor da OMS ressaltou que ainda há estudos em andamento e que quando eles estiverem concluídos, a organização vai emitir nota sobre a vacinação desse público.

Apesar da recomendação da OMS, a Food and Drug Administration (FDA), que faz o papel da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nos Estados Unidos, autorizou a vacinação contra Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos nos Estados Unidos.

Ausência na COP26

Bolsonaro também comentou ausência na Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP26), realizada em Glasgow, na Escócia.

“Tão reclamando que eu não fui para Glasgow. Levaram uma índia pra lá pra substituir o Raoni, né? Pra atacar o Brasil. Alguém viu algum alemão atacando a energia fóssil da Alemanha? Alguém já viu atacando a França porque lá a legislação ambiental não é nada perto da nossa? Ninguém critica o próprio país. Alguém já viu americano criticando aí as queimadas lá no estado da Califórnia? É só aqui, só aqui”, reclamou Bolsonaro.

A indígena brasileira a que Bolsonaro faz referência é Txai Suruí, de 24 anos, única brasileira a discursar na abertura da conferência.

Nascida dos Povos Suruí em Rondônia, Walelasoetxeige Suruí (ou Txai Suruí) tem 24 anos e é filha de Almir Suruí, 47, uma das lideranças indígenas mais conhecidas por lutar contra o desmatamento na Amazônia. O pai de Txai já foi perseguido pelo governo Bolsonaro em razão de suas críticas à política ambiental e indigenista.

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