Bolsonaro ataca “politicamente correto” sobre isolamento

"Vou pro meio do povo": presidente rebateu as críticas por estimular fim da quarentena e declarou que, se o Brasil parar, "vira Venezuela"

Bolsonaro visita açougueHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 29/03/2020 15:03

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comentou as críticas que vem recebendo por incentivar que as atividades econômicas sejam retomadas em plena crise causada pela pandemia do novo coronavírus. As declarações foram dadas após ele retornar de um passeio por Ceilândia e Taguatinga neste domingo (29/3).

“Quantas vezes um médico não segue o protocolo? Por que ele não segue? Porque tem que tomar uma decisão naquele momento. Eu mesmo, quando fui operado em Juiz de Fora [após ser esfaqueado], se fosse seguir todos os protocolos, fazer todos os exames, eu tinha morrido. O médico da Santa Casa resolveu e eu fui salvo por causa disso. Se ele tivesse seguido o protocolo, eu estaria morto, para a felicidade de alguns poucos no Brasil, tenho certeza disso. Seria o [Fernando] Haddad [candidato pelo PT] governando no Brasil agora, com aquela turma toda do PT, estaria uma maravilha o Brasil”, ironizou.

Bolsonaro também rebateu perguntas por estar desobedecendo o próprio Ministério da Saúde e declarações do vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), de que a “posição do governo é uma só”.

“O chefe que eu sou, eu tenho que assumir riscos, para o bem ou para o mal. Eu tenho que tomar decisões, eu não posso ficar em cima do muro e agindo politicamente correto. A nação afunda. E eu não vou me furtar de assumir posições. Eu vou pro meio do povo, quem me critica não vai. Duvido que vá, duvido”, afirmou.

Ampliação de serviços essenciais

Bolsonaro afirmou que pensa em editar um decreto tornando essencial toda atividade que sirva como meio de subsistência.

“Me deu a ideia agora e eu tô pensando em fazer um decreto desse, pra ver se cabe. Eu acho que é justo um decreto desse. Se o cara ali vai cortar grama, e se não cortar grama não tem dinheiro pra comprar o arroz, o feijão, o leite pras crianças, ele vai cortar grama, pô. Vai deixar a molecada morrer de fome, pô?”, questionou.

Apenas algumas modalidades de comércio estão autorizadas a funcionar, o que inclui supermercados, açougues, farmácias, petshops e padarias.

“Agora, quando falam em serviço essencial – e vocês [imprensa] estão lá no meu decreto –, essencial é tudo aquilo que sirva para o homem e a mulher levar o leite para as crianças em casa. Levar o arroz e o feijão pra dentro de casa, porque, se não conseguir fazer isso, ele vai ter problema seríssimo, de fome, subnutrição, inanição, talvez até morte”, destacou.

Violência contra a mulher

O presidente mencionou dados do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, sobre aumento da violência doméstica. “Eu vi da Damares [Alves, ministra da Mulher], eu não liguei pra ela, mas fiquei até assustado. Aumentou a violência doméstica. É só mostrar isso: aumentou a violência doméstica, tem mulher apanhando em casa. Por que isso? Em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão. Como é que acaba com isso? É crime trabalhar?”, questionou.

Volta às aulas

Bolsonaro também defendeu o retorno às aulas, alegando desconhecer casos fatais de vítimas abaixo dos 10 anos. “Eu desconheço criança abaixo dos 10 anos que tenha morrido por isso [acometido pelo novo coronavírus]. Eu tenho uma filha de 9 anos, a Laura. Por mim, ela iria à escola. Se querem adiar um pouco mais, como é criança, tem o medo, tudo bem. Discuta isso daí, mas o Brasil não pode parar. Se o Brasil parar, a gente vira uma Venezuela”, disparou.

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