Bolsonaro ataca Bonner novamente e chama jornalista de “cara de pastel”

Presidente acusou o âncora do JN de ser mentiroso por falar que relação com Índia e China foi "minada" por ele e o chanceler Ernesto Araújo

atualizado 21/01/2021 21:34

Rafaela Felicciano/Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a atacar o apresentador e “âncora” do Jornal Nacional, da TV Globo, William Bonner, ao afirmar, nesta quinta-feira (21/1), que o jornalista é “mentiroso” e tem “cara de pastel”.

A declaração foi feita durante a transmissão ao vivo nas redes sociais que o prsidente faz todas as quintas-feiras. Bolsonaro criticou a edição do telejornal exibidoanesta semana na qual Bonner diz que, atualmente, o Brasil depende da Índia para receber as doses da vacina de Oxford e depende também da China para receber a matéria-prima necessária para produzir o imunizante em solo brasileiro.

Segundo o âncora do JN, a situação do Brasil “não é confortável”, uma vez que a diplomacia do governo Bolsonaro teria ocasionado situações que “minaram” a relação do Brasil com a Índia e a China.

“Não vou entrar no mérito desta questão aqui. William Bonner dizendo, no Jornal Nacional, que eu e o Ernesto, nós minamos o nosso relacionamento com Índia e China. […] [Temos] Um excelente relacionamento e nada mudou. Nada mudou e o Bonner vem mentir no Jornal Nacional? Com aquela cara de pastel dele, com cara de quem é sempre o último a saber”, rebateu o presidente.

Durante a transmissão, Bolsonaro negou que tenha minado a relação com os dois países e disse que não há “entraves políticos”, mas “burocráticos”.

“O interesse que o mundo tem no Brasil e nós temos na Índia. Um excelente relacionamento. A questão da China, mesma coisa. Os números não mentem. Os números da nossa balança comercial — que nós vendemos — de 2019 foi maior que 2018. A de 2020 foi melhor que 2019. Alguns querem que eu fale o que eu conversei com o Xi Jinping… eu não sou esse cara de falar e correr para imprensa, não vou, muita coisa é reservada. Muita coisa essa semana foi tratada de forma reservada, quando recebemos o embaixador da Índia”, afirmou.

“O problema, como o próprio embaixador disse, é burocrático, não é nada político”, reiterou o presidente, que voltou a atacar o apresentador do JN. O [William] Bonner vem mentir no Jornal Nacional, com aquela cara de pastel, dizendo que eu minei esse relacionamento”, queixou-se o presidente.

“Não tem nada como o Bonner falou, que nós minamos o relacionamento. Parem de mentir pessoal, tomem vergonha na cara. Vocês atrapalham o Brasil assim. Eu tenho vergonha de vocês por fazerem um jornalismo dessa maneira. […] A nossa política externa é excepcional.”

Essa não foi a primeira vez que o presidente Bolsonaro fez críticas a William Bonner. No início do mês, ele chegou a dizer que o profissional é um “sem-vergonha” e que “acabou a teta do governo” para a TV Globo.

Diferença salarial

Na live desta quinta, o presidente ainda voltou a falar sobre a diferença salarial entre William Bonner e sua colega de bancada, Renata Vasconcellos.

“Pagam tanto de igualdade, criticam: ‘Tem que ter uma política para homem e mulher ganhar a mesma coisa!'”, reclamou o presidente.

Bonner, no entanto, ganha mais que Renata por exercer o cargo de âncora e editor-chefe do JN. Portanto, ele é hierarquicamente superior à colega, que é editora-executiva e apresentadora.

Essa não foi a primeira vez que Bolsonaro fez essa declaração. A primeira vez, inclusive, foi durante uma entrevista ao próprio Jornal Nacional, ainda no período eleitoral de 2018.

“Estou vendo uma senhora e um senhor aqui e com toda certeza há uma diferença salarial aqui, parece que é muito maior para ele do que para a senhora”, disse o então candidato à presidência.

Na ocasião, Renata interrompeu Bolsonaro para se posicionar. “Poderia até como cidadã ou cidadão brasileiro fazer questionamentos sobre seus proventos porque você é um funcionário público há 27 anos e eu, como contribuinte, ajudo a pagar seu salário”, disse.

“Já o meu salário não diz respeito à ninguém. E eu posso garantir, como mulher, que jamais aceitaria receber um salário menor do que o que um homem recebesse com as mesmas funções e atribuições que eu”, arrematou.

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