Bolsonaro ataca a Globo e alega que se solidarizou com vítimas da Covid-19

Durante evento no Planalto, no entanto, foi uma médica que pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da doença

atualizado 24/08/2020 21:14

Presidente Jair Bolsonaro durante enentos com militares brasileiroIgo Estrela/Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou a TV Globo na noite desta segunda-feira (24/8) depois de a emissora afirmar, em um de seus telejornais, que o chefe do Executivo não prestou homenagem às vítimas da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, durante um evento realizado nesta manhã.

O evento “Brasil vencendo a Covid-19”, que ocorreu no Palácio do Planalto, reuniu médicos que defendem o uso da hidroxicloroquina como “tratamento precoce” de pacientes com a doença. O medicamento não tem comprovação científica da eficácia contra o novo coronavírus.

Durante o Jornal Hoje, a jornalista Maju Coutinho disse que “nem Bolsonaro nem as autoridades do governo presentes prestaram solidariedade às vítimas e seus familiares”.

Muitas horas depois, Bolsonaro reagiu em uma rede social: “A Globo, como sempre, mentindo a meu respeito”.

Bolsonaro, no entanto, bem como as autoridades do governo, não prestaram homenagem às vítimas durante o evento, como informou a âncora do noticiário. Apenas uma das médicas presentes pediu um minuto de silêncio em razão dos mortos pela doença.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem 115.039 óbitos e 3.622.861 casos confirmados de Covid-19.

Jornalistas “bundões”

Também durante o evento, o presidente Jair Bolsonaro voltou a desrespeitar os profissionais da imprensa. Em seu discurso, o chefe do Executivo afirmou que se um “bundão” da imprensa contrair o novo coronavírus, a chance de sobreviver é “bem menor” do que a dele.

Ao fazer a declaração, Bolsonaro se referiu a um pronunciamento que fez, em 24 de março, no qual disse que, por ter “histórico de atleta”, não precisaria se preocupar caso fosse contaminado pelo vírus.

“Era um jovem aspirante do Exército Brasileiro [em 1978, quando salvou um colega], tinha 23 anos, sempre fui atleta das Forças Armadas. Aquela história de atleta, né, que o pessoal da imprensa vai para o deboche, mas quando pega [Covid-19] num bundão de vocês, a chance de sobreviver é bem menor”, disse o presidente.

“Só sabe fazer maldade, usar a caneta com maldade, em grande parte. Tem exceções, né, como aqui o Alexandre Garcia [jornalista, ex-Globo, hoje comentarista da CNN Brasil]. A chance de sobreviver é bem menor do que a minha”, acrescentou.

Menos de 24h antes, no domingo (23/8), Bolsonaro afirmou a um repórter do jornal O Globo que tinha vontade de “encher” a boca dele “na porrada”, após ser questionado sobre depósitos de Fabrício Queiroz, ex assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), para a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Entidades e políticos também repudiaram a atitude do presidente. O jornal O Globo afirmou que o chefe do Executivo “desconsidera o dever de qualquer servidor público, não importa o cargo, de prestar contas à população”.

0

 

Últimas notícias