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Política

Bolsonaro a deputado negro: "Quer continuar sendo meu escravo?"

Presidente fez a pergunta, aos risos, a Hélio Lopes (PSL-RJ), enquanto negava ser preconceituoso por raça ou gênero

28/05/2020 19:49, atualizado 28/05/2020 19:56
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jair Bolsonaro ri, com Hélio Lopes às suas costas

Durante transmissão ao vivo nas redes sociais na noite desta quinta-feira (28/05), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) brincou com o deputado Hélio Lopes (PSL-RJ) ao questioná-lo se o parlamentar gostaria de continuar sendo seu “escravo”.

Bolsonaro reclamava sobre notícias veiculadas na imprensa, que, segundo ele, são “exatamente o contrário” do que o noticiado.

“Tudo [de] que me acusam é exatamente o contrário: ditador que não respeita mulher, que não respeita negro, que não respeita nordestino…”, disse.

Neste momento, o presidente chama o deputado, que estava fora de cena, para participar da transmissão. “Aqui o Hélio… Teve um tempo que falaram que ele era meu escravo. Meu escravo ganhando R$ 33 mil por mês? Quer continuar sendo meu escravo, Hélio? (Risos) Pelo amor de deus…”, declarou.

Na transmissão, ao lado do chefe do Executivo federal estão o secretário da Pesca, Jorge Seif, e o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. Acompanhe:

Logo nos primeiros minutos da transmissão, Bolsonaro afirmou a Seif que quer recriar o Ministério da Pesca. “Eu confesso a vocês que eu não tinha a dimensão da pesca no Brasil. Se tivesse, eu teria mantido o Ministério da Pesca. Não vou recriar agora, mas […] se em 2050 eu for reeleito, 2050 eu crio o Ministério da Pesca, pode ser?”, afirmou.

Desde que tomou posse, o chefe do Executivo tem o costume de, nas transmissões, detalhar as ações do governo para seus apoiadores acompanharem quais medidas estão sendo tomadas.

A transmissão desta quinta ocorre em meio à insatisfação de Bolsonaro com decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), e a tensão institucional crescente. Nessa terça-feira (27/05), a novela ganhou um novo capítulo. Isso porque a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão no inquérito aberto pelo Supremo, que apura ameaças a ministros da Corte e a disseminação de conteúdo falso na internet.

Ao todo, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, que corre em sigilo no STF.

Entre os alvos da operação, estão aliados do presidente, como o presidente do PTB, Roberto Jefferson, e o empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan.

Após a decisão do ministro STF, Bolsonaro convocou uma reunião ministerial de última hora para definir uma “estratégia de reação” à instituição.

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Presidente e primeira-dama do país, Michelle Bolsonaro, no dia da posse
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Alan Santos/PR

Live da semana passada

Na semana passada, Bolsonaro pediu ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, que não divulgasse a íntegra da reunião ministerial de 22 de abril. O decano é relator do inquérito que apura suposta interferência do presidente na Polícia Federal.

No dia seguinte ao pedido de Bolsonaro, Celso de Mello liberou a íntegra da gravação. Houve cortes apenas em trechos que mencionam outros países. “Assinalo que o sigilo que anteriormente decretei somente subsistirá quanto às poucas passagens do vídeo e da respectiva degravação nas quais há referência a determinados Estados estrangeiros”, destacou o magistrado em sua decisão.

Também na transmissão da quinta-feira passada, o presidente comparou o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina a água e disse que o uso em excesso de qualquer uma das substâncias mata.