Barros alfineta Guedes por PEC dos Combustíveis: “Não tem alternativa”

Líder do governo na Câmara critica Economia: "Contra qualquer iniciativa para baixar preços dos combustíveis, apesar de pedido de Bolsonaro"

atualizado 08/02/2022 19:28

Jair Bolsonaro e Ricardo Barros Dida Sampaio/Estadão

O líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), ironizou a posição do Ministério da Economia de não encaminhar ao Congresso Nacional uma proposta para baixar o preço dos combustíveis, mesmo depois de o presidente Jair Bolsonaro (PL) ter expressado a vontade de zerar os impostos federais sobre o diesel.

Barros comentava em conversa com jornalistas a iniciativa do Senado de dar andamento à proposta de emenda à Constituição (PEC) que, entre outros pontos, cria um auxílio diesel de R$ 1.200 para caminhoneiros e eleva de 50% para 100% o subsídio ao gás de cozinha para famílias de baixa renda. O líder do governo apontou a contrariedade da pasta comandada pelo ministro Guedes.

“O presidente Bolsonaro disse o seguinte: ‘Eu quero zerar os impostos federais de combustíveis. Quem tem que escrever o texto para isso? A Economia. Mas a Economia é contra, não escreve texto. O Parlamento é que está tomando a iniciativa de atender uma solução para o combate à inflação, que é reduzir o óleo diesel, porque afeta todos os produtos, ele tem uma repercussão maior”, observou o líder.

“O governo não está nisso. O assunto dos combustíveis é iniciativa do Parlamento. Ponto. Não tem governo, não tem governo, não tem governo”, enfatizou. “O governo é contra. Pergunta para o ministro Guedes. O governo é contra qualquer texto”, destacou Barros.

Ele ainda comparou a atuação de Guedes, sem citar o nome do ministro, a outras áreas do governo que, no seu entender, agem de forma divergente do que pensa Bolsonaro. “O presidente é contra a vacina e o governo distribui vacina para todo mundo”, comparou.

Palpite com o relator

Ao ser questionado sobre o que o governo pretende fazer para resolver o problema dos altos preços dos combustíveis, o líder apontou que não haverá nenhuma iniciativa. “O governo já não tomou a iniciativa”, destacou.

“Isso [a PEC] é iniciativa do Parlamento. A Economia é contra. Logo, o governo não vai ser a favor. Vai sugerir eventualmente alguma alteração no texto, vai dar algum palpite com o relator, pode ser, mas o governo não é a favor. Essa iniciativa da PEC dos Combustíveis é do Parlamento. O governo não tem alternativa”, insistiu.

Nesta terça, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho 01 do presidente, decidiu endossar o projeto da PEC dos Combustíveis no Senado.

O texto recebeu assinaturas de 31 senadores, o que permitiu ao autor da PEC, senador Carlos Fávaro (PSD-MT), protocolar a proposta. Para ser aceita, eram necessários pelo menos 27 apoiamentos.

O autor intelectual da PEC é o senador Alexandre Silveira (PSD-MG), aliado do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Silveira pediu que o colega de partido apresentasse a proposta em seu lugar justamente para que ele possa assumir a relatoria durante as negociações.

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