Após revelação de falsidades no currículo, Decotelli pede demissão do MEC

Em menos de uma semana no cargo, ele teve o doutorado e o pós-doutorado questionados, além de ter o cargo de professor desmentido

atualizado 30/06/2020 18:09

ministro educação DecotelliHugo Barreto/Metrópoles

Poucos dias depois de ter sido escolhido como o novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli entregou a sua carta de demissão ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A informação foi confirmada por auxiliares do presidente da República. A Secretaria de Comunicação (Secom) do Planalto, porém, ainda não se manifestou.

O agora ex-ministro chegou ao Palácio do Planalto no início da tarde desta terça-feira (30/06). A expectativa era justamente de que, diante da repercussão negativa pelas informações falsas contidas em seu currículo, ele pedisse demissão do cargo.

Segundo pessoas próximas a ele, antes de ir ao encontro do presidente, o professor já teria redigido uma carta pedindo a sua saída do governo.

Vale ressaltar que, mesmo com sua nomeação publicada em Diário Oficial da União (DOU), na última quinta-feira (25/06), Decotelli ainda não tinha poderes para despachar. Ele já dava expediente no MEC e, segundo ele, preprava alguns projetos para a área.

No entanto, oficialmente, os atos só teriam validade após a assinatura do termo de posse, o que não chegou a ocorrer. A cerimônia estava prevista para esta terça, mas foi cancelada nessa segunda-feira (29/06) após a revelação de inconsistências no currículo do ministro.

Decotelli entrou no lugar de Abraham Weintraub, que foi exonerado da pasta após chamar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de “vagabundos”.

Antonio Paulo Vogel, secretário-executivo do MEC, também foi chamado ao Planalto. Ele entrou no elevador que leva ao gabinete da Presidência sem dar detalhes da pauta do encontro com Jair Bolsonaro (sem partido). Disse apenas que teria uma reunião.

A revelação de uma série de informações incorretas prestadas por Dacotelli sobre sua carreira acadêmica deflagrou uma crise dentro do Palácio do Planalto e o governo decidiu adiar a posse do ministro e fazer um pente-fino em sua carreira.

Após ter o seu doutorado e o seu pós-doutorado desmentidos entre sexta-feira (26/06) e segunda (29/06), nesta terça, foi a vez foi de a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informar que, diferentemente do que constava em seu currículo, Carlos Alberto Decotelli não foi pesquisador ou professor da instituição.

Decotelli é próximo de Eduardo Bolsonaro e também do secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, que chegou a ser cotado para a pasta.

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Na semana passada, o nome de Renato Feder, secretário de Educação do Paraná, ganhou força, mas ele acabou não sendo escolhido pelo presidente. Ele é um dos cotados para a substituição. O Metrópoles revelou, no entanto, que Feder foi denunciado por uma fraude milionária com governos estaduais quando era administrador de uma empresa.

Os militares do governo apoiam o nome do educador Antônio Freitas, que também estava entre os avaliados antes da nomeação de Decotelli, e de Antônio Testa, que chegou a fazer parte do MEC e foi demitido pelo ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez.

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