Após reunião com Bolsonaro, Paes critica disputa entre lockdown e liberação do comércio

Prefeito eleito do Rio defendeu que responsabilização fique a cargo das prefeituras, e falou em melhora da comunicação com a população

atualizado 15/12/2020 13:23

Eduardo Paes conversa com Raquel Sheherazade para o MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

O prefeito eleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), defendeu nesta terça-feira (15/12), em Brasília, que cada município deve adequar medidas para controle da disseminação da Covid-19. “Não pode ser uma disputa entre uma medida de lockdown e de liberação total”, afirmou após reunião com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no Palácio do Planalto.

“Não podemos pedir aquilo que a gente sabe que a população não vai cumprir. A gente finge que estabelece regra e fiscaliza. Assim, vamos vivendo num mundo de ficção”, defendeu Paes.

Para ele, é preciso melhorar a comunicação com a população, orientar idosos e pessoas com comorbidades a ficarem em casa. Ainda de acordo com o prefeito eleito, os demais devem usar máscara e manter distanciamento social e evitar aglomerações.

A respeito de aglomerações nas praias nas festas de ano novo, Paes disse: “É claro que preocupa, mas é aquela história: eu prefiro tomar as medidas a partir do dia 1º de janeiro. Não tenho condições de tomar medidas agora, tem uma transição acontecendo.”

Paes afirmou ainda que o Rio de Janeiro não precisa de hospital de campanha. “O Rio tem hospitais federais. Então, você tem condições de abrir leitos que estão hoje fechados.”

Segundo ele, há 1.800 leitos prontos que podem ser utilizados. Paes evitou anunciar medidas concretas, mas afirmou que na última semana do ano deve fazer anúncios sobre planejamento para o enfrentamento da pandemia.

Imunização e eleição no Congresso

O prefeito eleito reiterou que o presidente Bolsonaro irá publicar uma MP nesta terça-feira (15/12) para garantir R$ 20 bilhões para a compra de vacinas contra a Covid-19. Questionado sobre a defesa feita pelo presidente da assinatura de um termo de responsabilidade para quem decidir se vacinar, Paes evitou comentar: “Isso é uma questão das autoridades de saúde. Eu não sei como isso vai funcionar”.

Paes disse ainda não ver “a menor dificuldade, o menor conflito” de sua parceria com Rodrigo Maia (DEM-RJ) afetar o seu relacionamento com o presidente Bolsonaro. “Não acho que essas circunstâncias de Brasília, do Congresso, da eleição da Câmara dos Deputados venham a interferir. O deputado Rodrigo Maia é um grande aliado político meu e sabe da necessidade e da importância de uma parceria com o governo federal.”

Essa foi a primeira reunião presencial entre o prefeito eleito do Rio e o presidente da República. Bolsonaro fez campanha por Marcelo Crivella (Republicanos), derrotado por Paes no segundo turno. O demista classificou a conversa de hoje com Bolsonaro como “agradável” e “gentil”. “Eu disse ao presidente que no Rio de Janeiro ele contava com um parceiro institucional”, afirmou.

Também estavam presentes na audiência o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, com quem Paes trabalhou durante o planejamento das Olimpíadas do Rio; o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ); e o deputado federal Pedro Paulo, que será o secretário de Fazenda da nova gestão da capital carioca.

Paes disse que também tentará se reunir, ainda hoje, com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para tratar da possibilidade de refinanciamento de dívidas da cidade.

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