“Anvisa nunca referendou uso de cloroquina”, afirma Barra Torres

Diretor-presidente disse que agência precisou flexibilizar critérios de aquisição porque país ficou sem medicamento em estoque

atualizado 11/05/2021 15:55

Antonio Barra Torres na CPI da AnvisaJefferson Rudy/Agência Senado

O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, afirmou, nesta terça-feira (11/5), que o órgão regulador “nunca referendou” o uso de cloroquina e hidroxicloroquina para tratamento contra a Covid-19. Ele participa de oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid.

Ao senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Barra Torres confirmou que a agência flexibilizou a compra do medicamento em meados do ano passado. No entanto, defendeu que a flexibilização decorreu da necessidade de reabastecer os estoques do medicamento para “garantir o uso de quem realmente precisava

“[Esses medicamentos] Nunca foram de livre aquisição. A flexibilização se deu porque começamos a ter, nessa época, por conta da questão do uso off-label, um consumo maior do que a produção em uma velocidade avassaladora”, explicou.

De acordo com o representante da Anvisa, o alto consumo dos medicamentos do chamado Kit Covid prejudicou o tratamento de pacientes.

“Medidas tiveram que ser tomadas para garantir o uso de quem realmente precisava. Tinha mãe que queria tratar criança para verme e não conseguiu comprar ivermectina mais”, acrescentou.

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Barra Torres é o quarto depoente da CPI da Covid-19. Antes, os senadores ouviram os esclarecimentos dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, além do atual chefe da Saúde, Marcelo Queiroga.

Nesta semana, o colegiado também realiza oitivas com o ex-secretário de Comunicação Social Fábio Wajngarten e representantes da farmacêutica Pfizer.

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello só será ouvido em 19 de maio, uma vez que teve contato com duas pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

A CPI da Covid-19 tem o objetivo de investigar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia e, em especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas com a ausência de oxigênio, além de apurar possíveis irregularidades em repasses federais a estados e municípios.

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