Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Política

"Alpiste" era o código de Temer para propina a Cunha, diz delator

Depoimento do executivo da JBS Ricardo Saud reforça a ideia de que o presidente incentivava pagamentos pelo silêncio de Cunha e Funaro

19/05/2017 22:40
Reprodução
“Alpiste” era o código de Temer para propina a Cunha, diz delator

Em depoimento ao Ministério Público Federal, o diretor de Relações Institucionais e Governo da JBS, Ricardo Saud, voltou a reforçar a ideia de que o presidente Michel Temer incentivava a empresa a comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do operador Lúcio Funaro. “O Michel Temer sempre pedia para manter eles lá. O código era: ‘Tá dando alpiste para os passarinhos? Os passarinhos estão tranquilos na gaiola?'”, afirma o executivo.

De acordo com o delator, em um primeiro momento, o esquema era coordenado pelo ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima. Após a saída do peemedebista do governo, o dono da JBS, Joesley Batista, teria conversado com o presidente.

“Na conversa, o Joesley falou para ele: ‘Ó, tá acabando lá o alpiste dos passarinhos. Como é que vai fazer, o que é que vamos fazer para melhorar isso?’. Ele [Temer] falou: não, continua, continua. Isso é muito importante. O Joesley então naquele momento falou: ‘Olha, Ricardo, vamos continuar pagando mais um ou dois aí pro Lúcio, até nós definirmos de onde vai vir esse dinheiro agora para pagar'”, afirma Ricardo Saud.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Ainda segundo o delator, os pagamentos eram feitos com o objetivo de impedir que Cunha e Funaro pudessem revelar informações prejudiciais à JBS e a políticos. Saud afirma que Temer demonstrou preocupação com um possível fim do pagamento de propinas.

“O Joesley foi lá explicar para ele [Temer] que não tinha mais dinheiro, que esse era o último pagamento, tanto pro Cunha, quando pro Lúcio. Aí ele falou: ‘Não, não, não pode. Arruma um jeito de pagar lá'”, disse o executivo.