Aliados querem Bolsonaro de colete e em carro fechado na posse

Próximo ministro da Secretaria-Geral acredita ser necessário segurança maior no evento da posse presidencial, em 1º de janeiro

atualizado 10/12/2018 21:02

Igo Estrela/Metrópoles

Futuro ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno disse ser provável que o presidente da República eleito, Jair Bolsonaro (PSL), desfile de colete à prova de balas e em carro fechado no dia da posse, em 1º de janeiro de 2019. As medidas de segurança para o evento estão sendo discutidas pelo governo de transição, a Polícia Federal e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

“Por mim, seria no ‘papamóvel’, mas não sei nem se está funcionando. Acho temeridade ser em carro aberto. Todos os itens de segurança estão sendo analisados”, disse Bebianno. Segundo ele, é “provável” o uso de colete pelo presidente eleito, no dia 1º.

Conforme afirmou o indicado para a Secretaria-Geral, pessoas próximas ao presidente estão tentando convencê-lo a não desfilar em carro aberto. “Ele [Bolsonaro] é muito valente. Não se preocupa, não liga. Ele é muito assim… paraquedista, mergulhador. Nem com a facada mudou a cabeça”, acrescentou Bebianno.

Recentemente, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, encomendou à sua equipe um estudo para reforçar a segurança de Jair Bolsonaro e sua família a partir da posse. O motivo do pedido, além do atentado sofrido por Bolsonaro na campanha, são as frequentes ameaças direcionadas ao presidente eleito e identificadas pela inteligência do governo.

Etchegoyen não falou em números ou estratégias por questões de segurança, mas avisou: “obviamente” haverá um rigor muito maior no controle a tudo que tem a ver com o presidente eleito. “O esquema que está sendo preparado para receber um presidente que já sofreu um atentado será muito diferente e muito mais severo do que qualquer outro titular do Planalto já viu ou teve”, afirmou o general ao jornal O Estado de São Paulo.

Mais segurança desde ataque
Bolsonaro teve sua segurança reforçada pela Polícia Federal durante a corrida eleitoral, após ser vítima de uma facada em 6 de setembro, em Juiz de Fora (MG). Segundo informações da área de inteligência, as ameaças continuaram mesmo após a eleição. “O GSI não comenta detalhes de sua responsabilidade com a segurança presidencial, mas confirma que existem ameaças que efetivamente preocupam”, disse o ministro.

A segurança de Bolsonaro após a posse será chefiada pelo general Luiz Fernando Estorilho Baganha. Ele assumirá o cargo no lugar do general Nilton Moreno, que hoje está à frente da montagem da estrutura de proteção ao presidente eleito.

Durante a campanha, o candidato foi avisado que corria risco. Aliados, inclusive, citaram as ameaças como justificativa para que Bolsonaro não participasse dos debates eleitorais na reta final. Anunciado como futuro ministro da Defesa, o general da reserva Augusto Heleno chegou a divulgar um vídeo na véspera da eleição com o alerta para uma “real ameaça de atentado terrorista” contra Bolsonaro, articulada por uma “organização criminosa”.

Na semana passada, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Polícia Federal se reuniram para discutir o novo esquema reforçado que irá vigorar durante o governo de transição. Atualmente, uma equipe de 55 homens da PF se reveza na proteção ao presidente eleito. A informação é de que as ameaças partiram de diferentes fontes, inclusive de facções criminosas, como PCC e Comando Vermelho.

A ideia é adotar no Brasil algumas das medidas usadas para proteger os presidentes norte-americanos, em que os cuidados com segurança chegam a níveis máximos. As tradicionais entrevistas nas quais o presidente fica rodeado por repórteres, por exemplo – chamadas de quebra-queixo no jargão jornalístico –, devem acabar. Os preparativos de viagens e contato com o público também serão repensados.

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