Aécio Neves: “Não temos que deitar no divã para defender Previdência”
Tucanos querem a relatoria na comissão especial que vai analisar o mérito da reforma, mas cobram compromisso do governo com a matéria

Os tucanos querem a relatoria da reforma da Previdência na comissão especial e cobram do governo um compromisso mais forte com a proposta, cuja admissibilidade constitucional foi aprovada nessa terça-feira (24/04/19) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Para o deputado Aécio Neves (MG), a matéria apresentada pelo governo já era algo apoiado pelo PSDB há muitos anos e não há resistências em continuar a defendê-las.
Apesar de reivindicar a relatoria, o partido avalia que não poderá amargar o desgaste de relatar uma proposta considerada impopular, caso o próprio governo não assuma a defesa do projeto de forma mais aguerrida.
“Não teremos que deitar no divã para defender a reforma da Previdência”, disse o deputado. “Será que o PSDB vai ser mais realista que o rei mais adiante?”, questionou.
“Esta é uma questão que tem que ser colocada e conversada com o próprio Rogério Marinho (secretário especial da Previdência, filiado ao PSDB) e com o ministro Paulo Guedes (Economia) para saber qual a firmeza que o governo vai ter até o final. Até agora, o governo, a cada pressão, recuava. Amanhã poderá estar o PSDB com uma proposta sem apoio do próprio governo para aprová-la”, observou.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“O PSDB tentou essa reforma lá trás. Eu era presente da Câmara ainda, na época do Fernando Henrique. Perdemos por um voto. Está no nosso DNA”, disse o deputado. “O que temos que saber é se vale a pena o PSDB se expor nisso enquanto o governo não banca. Essa que é a dúvida nossa”, observou.
A definição dos membros que vão compor a comissão especial, a relatoria e a presidência do colegiado, que vai analisar o mérito da proposta da reforma, deverá ser definida até esta quinta-feira (25/04/19).
Feriado
A pressa para a instalação da comissão é para que na próxima semana os deputados não precisem retornar das bases para Brasília, devido ao feriado do Dia do Trabalho, a ser comemorado na próxima quarta-feira (1º de Maio). A comissão deverá começar os trabalhos somente no dia 7 de maio.
O nome do PSDB para relatar a proposta é o do deputado Eduardo Cury (SP), defendido pelo secretário especial da Previdência, Rogério Marinho. Também concorre ao cargo o deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), mais próximo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
O PR é o partido mais cotado para a presidência do colegiado e apresenta o nome de seu vice-líder, Marcelo Ramos (AM).
Os tucanos devem também indicar o deputado Samuel Moreira (MG) para outra vaga do partido na comissão.



