“Agora a reforma deslancha”, afirma Guedes após almoçar com Maia

O presidente da Câmara e o ministro da Economia se encontraram na residência oficial nesta quinta-feira (28/3) para tratar da Previdência

atualizado 28/03/2019 18:14

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Após semanas de embate, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM), e a equipe do presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltaram a se entender. Nesta quinta-feira (28/3), o parlamentar almoçou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para tratar da reforma da Previdência e selar a paz. Antes, tomou café com o chefe da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, para negociar a tramitação do projeto anticorrupção.

Ao lado de Guedes, Maia pôs um fim à crise. “Estava na hora de a gente focar naquilo que vai mudar a vida dos brasileiros. Retomamos o diálogo. Nosso foco sempre serão os temas que podem mudar a vida dos brasileiros e, sem dúvida, o diálogo com o ministro Paulo Guedes é importante”, destacou.

Na próxima semana, Guedes será recebido na Câmara dos Deputados por Maia e líderes políticos. “Desde o início do governo, a participação dele ajuda no convencimento dos parlamentares. A ida dele na quarta será muito importante para mostrar os benefícios da reforma”, concluiu.

Longe das críticas, Maia ponderou que agora “é preciso colocar o trem nos trilhos”. “Estava na hora de parar. Não vamos olhar para trás e ficar na disputa de quem começou e quem errou. O importante é continuar trabalhando”, explicou.

Na mesma tendência, Guedes elogiou Maia e apostou: “Agora a reforma vai deslanchar”. “O respeito institucional irá existir sempre. Às vezes pode haver um empurra-empurra pessoal. Mas mesmo quando discuti, fui cortês, dado o temperamento forte que tenho”, disse o ministro, se referindo ao bate-boca que teve com a senadora Kátia Abreu (PDT-TO).

Ele ainda frisou que Maia apoia a reforma e ajuda na articulação desde o início do governo. O entrevero entre os dois começou após Guedes desistir de defender as mudança na Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A tramitação está estagnada, aguardando um relator para a matéria.

Pondo fim aos questionamentos da crise entre os poderes, Maia e Guedes usaram frases curtas para acabar com a polêmica. “Assunto encerrado”, resumiu o parlamentar. O ministro complementou: “Foi somente um barulho. Já acabou”. Nesta sexta, Bolsonaro também esfriou o clima de tensão. “Foi chuva de verão. O céu está lindo“, disse, se referindo à briga com Maia.

O almoço, na Residência Oficial da Câmara, contou com a participação do secretário especial da Previdência Social, Rogério Marinho, o líder do Novo, deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), o primeiro-vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (PRB-SP), e o deputado Domingos Neto (PSD-CE).

Negociações com Moro
Maia tomou café da manhã com o ministro Sergio Moro. A conversa entre eles foi para agilizar a tramitação do pacote anticorrupção. Apesar da aparente relação amistosa, Maia disse que não vai impedir o andamento do texto apresentado pelo ministro Alexandre de Morais. Um grupo foi criado para estudar a matéria na Câmara e em até 90 dias apresentará resultados.

“Disse a ele [Moro] que se senadores quisessem apresentar o projeto no Senado, não haveria nenhum problema. Fiz isso para provar que o que tivemos foi um problema de comunicação, que terminou com frases mal colocadas da minha parte e da parte dele também. O importante é construir uma análise do projeto dele, do ministro Alexandre e dos deputados para que se possa chegar ao plenário com essa matéria organizada”, avaliou Maia.

Ele minimizou possíveis rusgas com Moro. “Não estou contra o projeto e nem esticando a tramitação dele. Um senador apresentou o projeto. Não tenho como impedir o avanço. Vivemos numa democracia. Lá, vai tramitar. Na Câmara, montamos um grupo de trabalho com 10 deputados. Vai tramitar também”, garantiu.

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