Venezuela critica “atitude passiva” da polícia em embaixada

Nota oficial do governo venezuelano acusa o Brasil de não cumprir com sua obrigação de proteger embaixada e pessoal da missão diplomática

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 13/11/2019 17:16

O governo da Venezuela divulgou nota criticando o governo brasileiro e suas autoridades policiais pela atuação no episódio da invasão da embaixada do país vizinho por partidários da oposição na madrugada desta quarta-feira (13/11/2019).

“A República Bolivariana da Venezuela denuncia ante a comunidade internacional que sua embaixada no Brasil foi objeto de assalto por grupos políticos violentos ligados à oposição venezuelana”, diz o documento, que critica, ainda, a “atitude passiva das autoridades policiais brasileiras, em desatenção a suas obrigações de proteção das sedes diplomáticas e de seu pessoal”.

Veja a nota, em espanhol:

Nota oficial

O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, também postou no Twitter um vídeo enviado pelos diplomatas que trabalham na representação em Brasília. Segundo o chanceler do país vizinho, o vídeo desmente a versão divulgada por partidários do autoproclamado presidente Juan Guaidó de que desertores teriam convidado os invasores a entrar no prédio, na 803 Sul.

Oficialmente, o Brasil condenou a invasão do prédio, em nota oficial e em manifestação do presidente Jair Bolsonaro. O grupo invasor, porém, disse ter avisado o Itamaraty que iria entrar na embaixada – o ministério nega.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente e líder do seu partido na Câmara, usou o Twitter nesta quarta para fazer várias postagens em apoio aos invasores.

Pela Convenção de Viena, da qual o Brasil é signatário, o país tem a obrigação de proteger as embaixadas em seu território. O Brasil reconhece a autoridade de Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, mas, para a Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente do país é mesmo Nicolás Maduro, cujo governo enviou a reclamação.

Em resposta ao Metrópoles sobre a acusação de “atitude passiva”, a PMDF, que tem um batalhão responsável pela segurança das embaixadas, informou que apenas faz a segurança no local e que “o Itamaraty está coordenando todas as ações”.

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