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Indicado pelo líder do Movimento Democrático Brasileiro na Câmara dos Deputados, Baleia Rossi (SP), e apoiado pela bancada do partido na Casa, o deputado federal Daniel Vilela (GO) deverá presidir a Comissão de Constituição e Justiça a partir desta semana – a instalação está agendada para terça-feira (3/4). No entanto, o nome do goiano não agrada a Michel Temer (MDB). Isso porque o o chefe do Executivo nacional quer um de seus “defensores” à frente da CCJ, papel que Vilela não pretende encenar.

O presidente prefere um político com mais disposição em protegê-lo, caso nova denúncia seja feita contra ele pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na cabeça de Temer, o comandante da CCJ precisa agir como o então deputado federal Carlos Marun (MS) – atual titular da Secretaria de Governo – durante as acusações dos irmãos Batista na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS.

Na época, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) acusou Marun de ser um “instrumento” do Planalto para atacar os delatores do frigorífico e o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. Em certo momento, o congressista do Amapá chegou a se referir ao ministro como um “cão de guarda de Temer”. Já Daniel Vilela tem um perfil oposto ao do articulador. Além disso, o deputado é pré-candidato ao Governo de Goiás e não quer se desgastar com o eleitorado do estado na tentativa de barrar uma acusação.

A importância do presidente da CCJ é grande, pois a comissão significa o ponto de partida na hipótese de mais uma acusação da PGR. Mas, na quinta-feira (29), quando dois amigos de Michel Temer foram presos na Operação Skala, por exemplo, Vilela afirmou que “ninguém será capaz de segurar uma eventual nova denúncia contra o emedebista, se ela for consistente e robusta”. A frase assustou o Palácio do Planalto. Porém, nesse sábado (31/3), procurado pelo Metrópoles, o deputado garantiu que a fala nada teve a ver com a forma como pretende comandar a Comissão de Constituição e Justiça.

Até aqui, o goiano disse não abrir mão da CCJ. Enquanto isso, Temer avalia, junto à cúpula do MDB, se forçar a retirada de Daniel Vilela do comando da comissão trará mais benefícios ou irá piorar a imagem do presidente, pois a atitude deixaria claro o motivo da saída do deputado.

Operação Skala
A Operação Skala apura possíveis irregularidades na edição do Decreto dos Portos. Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou possível brecha para o governo federal beneficiar empresas com contratos mais antigos, porém não regulamentados. Além disso, o decreto ampliou de 50 para 70 anos o tempo das concessões portuárias.

Entre as companhias beneficiadas, estaria a Rodrimar, que, atualmente, explora três áreas no Porto de Santos, em São Paulo, mantidas por liminares da Justiça. Antônio Celso Grecco, dono da empresa, e Wagner Rossi, ex-ministro da Agricultura e ex-presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo, estão entre os presos da operação, além de dois amigos de Michel Temer: o advogado José Yunes e o coronel da reserva da PM João Baptista Lima.

O Planalto está preocupado quanto à possibilidade da apresentação de nova denúncia contra Michel Temer após a operação. Vale lembrar que, por duas vezes, a Câmara dos Deputados conseguiu barrar acusações do ex-procurador-geral Rodrigo Janot. Mas aliados do presidente acreditam que, se mesmo uma terceira denúncia for barrada, a existência da acusação diminui ainda mais as chances de reeleição do emedebista.

 

 

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