“Satisfeita”, diz deputada do PSL sobre prisão de assessor de ministro

Alê Silva, de Minas Gerais, relatou à PF ter sido ameaçada de morte pelo ministro Álvaro Antônio por denunciar esquema de "laranjas"

Najara Araújo / Câmara dos DeputadosNajara Araújo / Câmara dos Deputados

atualizado 27/06/2019 16:48

A deputada federal Alê Silva (PSL-MG) disse, em entrevista ao Metrópoles, que “não tem como ficar bem” diante da prisão de Mateus Von Rondon, assessor do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, feita pela Polícia Federal nesta quinta-feira (27/06/2019), em meio às investigações sobre a utilização de candidaturas-laranja no PSL nas eleições de 2018. Mas afirmou estar “satisfeita com a ação da PF, que está trabalhando sem sofrer influência, independentemente de quem esteja no poder”.

Segundo a deputada, há um silêncio no PSL sobre o assunto. “Nenhum de meus colegas de partido me ligou ou comentou o assunto comigo. Nem em off”, disse a parlamentar, que, em abril deste ano, acusou o ministro de ameaçá-la de morte em duas ocasiões.

“Não tenho como ficar feliz com uma situação dessas, dentro do meu partido. Agora, este é um sinal de que a Polícia Federal vem trabalhando sem qualquer influência”, disse Alê Silva.

Em abril deste ano, Alê Silva relatou à Polícia Federal que foi ameaçada de morte pelo ministro Marcelo Álvaro Antônio. Em depoimento espontâneo à PF, a parlamentar pediu proteção policial e contou que recebeu a informação de que o ministro fez as ameaças durante uma reunião com outros integrantes do partido, no fim de março, em Belo Horizonte.

A parlamentar afirmou, em entrevista ao jornal, que descobriu o esquema do laranjal do PSL após relatos de correligionários mineiros e após analisar os dados de prestação de contas das candidatas que seriam de fachada. O ministro negou as acusações e disse que a deputada está em uma “campanha difamatória” contra ele.

Nesta quinta, a deputada evitou também falar sobre as condições de Marcelo Álvaro Antônio em permanecer no cargo. Embora concorde que sua permanência do governo gere desgaste para o partido e para o próprio presidente Jair Bolsonaro (PSL), ela disse que não quer ser percebida como alguém em “disputa por poder” dentro da legenda.

“Com certeza, se eu falar sobre as condições do ministro no cargo, a maioria do partido vai me acusar de estar disputando poder com ele, devido às denúncias que já fiz. Por isso, prefiro não avaliar se ele tem ou não condições de permanecer no cargo. Até porque essa é uma decisão que não cabe a mim, mas ao presidente”, disse a deputada.

Mateus Von Rondon tem sido investigado como principal elo entre o ministro do Turismo e o esquema de candidaturas de laranjas do PSL em Minas Gerais, estado do ministro e da deputada.

Assessor especial no ministério, ele tinha, desde 2013 até o começo desse ano, uma empresa de serviços de internet e marketing que basicamente prestou serviços para um único cliente: o próprio ministro.

A empresa teria apresentado uma série de notas fiscais de Rondon à Câmara para justificar gastos de sua cota parlamentar. Após encerrar as atividades da empresa perante a Receita Federal, ele virou assessor especial do ministro, em 23 de janeiro deste ano.

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