“Que mania vocês têm de que parente meu não presta”, diz Bolsonaro

No Palácio da Alvorada, presidente disse que "botou parentes" antes da lei do nepotismo, e que é "natural" recorrer a quem "já está do lado"

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 04/08/2019 11:44

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), tentou defender, ao deixar o Palácio do Alvorada, na manhã deste domingo (04/08/2019), os parentes que nomeou em seus gabinetes durante os 28 anos de vida pública até agora. Segundo o chefe do Executivo, jornalistas têm “mania” de achar que pessoas próximas a ele não prestam.

“Eu já botei parente meu sim, mas foi antes da decisão que dizia que nepotismo seria crime. Quando me casei com a Michelle, ela era funcionária minha e logo depois a demiti. Se vocês contassem a verdade, mas não contam”, respondeu o presidente, atacando os jornalistas.

Segundo informações do jornal O Globo, Bolsonaro nomeou 102 assessores da família ou com parentesco entre si – e muitos deles, de acordo com o jornal, com indícios de que não trabalharam efetivamente nos cargos – durante os 28 anos de vida pública, enquanto deputado no Congresso Nacional. Desde 1991, em seu primeiro mandato na casa, foram nomeados, ao total, 286 assessores para seu gabinete e de seus filhos. Destes, 22 eram integrantes diretos da família Bolsonaro. As informações foram verificadas em diários oficiais e com uso da Lei de Acesso à Informação.

“Eu nem tenho 102 parentes, vê se tem alguém da Ceilândia. Mesmo contando com meus três filhos não dá isso. Vocês foram buscar funcionário que eu empreguei em 1989, faz as contas aí. Vocês estão batendo por coisa de 30 anos atrás. E outra coisa, quando botei os parentes da Ana Cristina [ex-esposa] eu não era casado com ela, fui casar depois, nove ou 10 anos depois”, afirmou o presidente.

O Palácio do Planalto, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro preferiram não comentar sobre o assunto. Já o advogado do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Frederick Wassef, disse que “a nomeação dessas pessoas ocorreu de forma transparente e de acordo com as regras da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj)”.

Para o chefe do Executivo, agora todos estão massacrando um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), indicado pelo pai para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos. “Ele foi elogiado pelo Trump. E tem ministro que tem parente por aí. Qual o problema? Vocês foram buscar funcionário lá atrás, há 30 anos. É natural colocar alguém que já está do meu lado. O Senado pode barrar meu filho sim, mas no outro dia eu posso colocar ele lá no lugar do Ernesto [ministro das Relações Exteriores]”, reagiu, claramente irritado.

Últimas notícias