Mesmo antes de ser concluída a eleição para presidente da Câmara dos Deputados, o PSL já se articulava para cobrar a fatura pelo suporte dado ao Democratas, que levou Rodrigo Maia (DEM-RJ) novamente à presidência da Casa.

Quando Maia deu início ao processo que culminou no apoio formal do partido do presidente da República à sua campanha, o parlamentar prometeu que, em troca da ajuda, a legenda receberia o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A direção do principal colegiado da Câmara tinha um preço alto: os 52 votos do PSL.

Quatro deputados da sigla do Chefe do Executivo nacional já se mexem para presidir a comissão. Um dos nomes é o da brasiliense Bia Kicis (PSL-DF). Além da parlamentar da capital da República, também disputam o delegado da Polícia Federal Marcelo Freitas (MG) – amplo favorito –; o advogado Felipe Francischini (PR), filho de Fernando Francischini, ex-delegado da PF e ex-líder do PSL; e o Coronel Tadeu (SP), ex-policial militar do Batalhão de Choque.

Bia expôs a sua intenção em visita ao presidente, na qual oficializou a ideia de assumir o colegiado. A razão para isso é o seu histórico profissional: foi procuradora do Distrito Federal.

A deputada federal garante que o titular do Palácio do Planalto está com ela. “Só vamos de fato decidir tudo no decorrer da próxima semana. Claro que todos os candidatos estão bem preparados, mas  tenho o apoio do presidente”, afirmou. Com Bia, estariam os parlamentares Felipe Barros (PR), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP) e Caroline de Toni (SC).

Favorito
O delegado da Polícia Federal Marcelo Freitas (MG) conquistou a maior parte dos filiados da sigla. “Eu tenho a impressão de que tenho a maioria”, disse.

Além da bancada de Minas Gerais, seu estado de origem, está com ele a chamada “bancada da China” do PSL. Trata-se do grupo de 12 parlamentares eleitos pela legenda de Jair Bolsonaro que, no último mês, aceitaram convite do governo chinês para conhecer o país, o que gerou críticas de apoiadores do partido.

Um dos participantes do grupo, o deputado eleito pelo Rio de Janeiro Daniel Silveira expôs a articulação. “Todos nós estamos fechados com o Freitas”, disse, em entrevista ao Metrópoles. O postulante tem apelo junto à “bancada da bala” e conta com simpatia do Palácio do Planalto.

Em 2016, Freitas ainda era delegado da Polícia Federal e integrou a “lista tríplice” de nomes escolhidos pela instituição para o cargo de diretor-geral da PF, mas foi rechaçado pelo então presidente Michel Temer (MDB).

Contribui ainda para o pleito do policial o fato de parte dos filiados ao PSL olharem com desconfiança a chegada de Kicis ao partido. Conforme avaliação dos demais integrantes, como a deputada brasiliense não ingressou na sigla desde o começo, ela não mereceria o cargo.

Outros nomes
Além de Kicis e Freitas, Felipe Francischini (PR) e o deputado Coronel Tadeu (SP), ex-policial militar do Batalhão de Choque, também pleiteiam a vaga. Francischini tem apoio de parlamentares ligados à executiva do PSL e Tadeu ainda se movimenta, mas com pouco retorno.

  • * Matéria foi atualizada após a deputada Bia Kicis trocar o PRP pelo PSL.