Presidente substituída da comissão sobre ditadura: “Foi represália”

Jair Bolsonaro trocou mais da metade dos integrantes do colegiado responsável por localizar corpos de mortos e desaparecidos políticos

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atualizado 01/08/2019 14:58

A procuradora regional da República, Eugenia Augusta Gonzaga, considerou como “represália” a atitude do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de tirá-la da presidência da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). Segundo ela, com a decisão, a comissão passará por medidas que visam a frustrar os reais objetivos.

Bolsonaro trocou nesta quinta-feira (01/08/2019) quatro dos sete integrantes da CEMDP. O grupo, instaurado em 1995, tem, entre outras funções, o propósito de localizar os corpos dos brasileiros que sumiram durante a ditadura militar.

A alteração foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e também levou assinatura da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. A pasta é responsável pelo colegiado desde 2004.

No lugar de Eugenia, o mandatário da República nomeou o advogado Marco Vinicius, filiado ao PSL e assessor de Damares. Os outros novos integrantes são Weslei Antônio, coronel reformado do Exército; Vital Lima Santos, oficial do Exército; e o deputado federal Felipe Barros, também do PSL.

“Provavelmente, pela quantidade de frentes de trabalho decorrentes de condenações judiciais, como os casos do Araguaia e Perus, todos os membros foram mantidos. Portanto, ao que tudo indica, a substituição foi uma represália pela minha postura diante dos últimos acontecimentos”, comentou a decisão, em nota, Eugenia Gonzaga.

A ex-presidente do colegiado afirmou que, desde a posse do presidente Bolsonaro, o grupo imaginava que haveria substituição dos participantes, assim como ocorreu na Comissão de Anistia.

“Lamento muito. Não por mim, pois já vinha enfrentando muitas dificuldades para manter a atuação da CEMDP desde o início do ano, mas pelos familiares. Está nítido que a CEMDP, assim como a Comissão de Anisita, passará por medidas que visam a frustrar os objetivos para os quais foi instituída”, complementa.

Eugenia Gonzaga criticou a recente fala do chefe do Executivo sobre Fernando Santa Cruz, assassinado na ditadura e pai do atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.

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