Oposição vai obstruir votação da Previdência e apresentar destaques

Os deputados vão pedir pela retirada de diversos pontos do parecer aprovado pela comissão especial na semana passada

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 09/07/2019 14:19

Após reunião de líderes da oposição, o grupo decidiu que manterá a obstrução no plenário nesta terça-feira (09/07/2019). Além de apresentar os cinco requerimentos que têm direito regimentalmente, os deputados protocolarão nove destaques — todos supressivos — no texto-base da reforma da Previdência.

Ou seja, a oposição vai pedir pela retirada de diversos pontos do parecer aprovado pela comissão especial na semana passada. Para garantir a íntegra do texto, o governo precisa de 308 votos na Casa para cada sugestão apresentada.

Oposicionistas acreditam que assim pressionarão o governo, sobretudo porque alegam que não há 340 votos favoráveis à reforma, como a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), afirmou mais cedo.

“Vamos apresentar os requerimentos porque obrigaremos a presença de deputados favoráveis à reforma. Nossa obstrução tem o motivo de debater o texto e virar votos contrários à reforma”, explica o líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ).

Entre os destaques que serão apresentados estão textos que preveem mudanças nas regras de aposentadoria dos professores e a reoneração das exportações agrícolas.

Durante a reunião de líderes que ocorreu nesta manhã, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sugeriu um acordo com a oposição para que ela não obstruísse a votação em troca de cinco horas garantidas de debates.

Embate na bancada evangélica e feminina
Segundo a líder da minoria na Câmara, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), as bancadas feminina e evangélica estão insatisfeitas com o texto aprovado na comissão especial. Os trechos que causam desentendimento entre os parlamentares são os referentes à pensão por morte e a aposentadoria das mulheres rurais.

“As bancadas feminina e evangélica estão se rebelando contra a reforma. Isso está gerando insegurança dentro da votação. Por isso, o governo está pensando em votar amanhã. Vamos votar o kit obstrução”, ponderou a deputada.

Jandira disse que o grupo ainda trabalha para tentar conquistar votos dos dissidentes. O cálculo da oposição é que o governo tem 281 votos — o necessário para aprovar a matéria em dois turnos, para encaminhar ao Senado, é 308 votos dos 513 parlamentares.

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