Oposição consegue assinaturas e protocola pedido de CPI da Vaza Jato

Grupo de deputados de partidos de esquerda quer investigar atuação do ex-juiz Sergio Moro e dos procuradores da Operação Lava Jato

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 12/09/2019 21:50

Parlamentares de partidos de oposição ao governo Jair Bolsonaro conseguiram as assinaturas necessárias e protocolaram, nesta quinta-feira (12/09/2019), na Câmara dos Deputados, pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as revelações da chamada “Vaza Jato” – série de reportagens do site The Intercept Brasil e veículos parceiros que põe em dúvida a atuação do então juiz federal encarregado da Operação da Lava Jato e hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e da força-tarefa em Curitiba, comandada pelo procurador Deltan Dallagnol.

Os deputados alegam que as mensagens hackeadas e entregues ao Intercept revelam “conluio para fraude processual, manipulação de provas para condenar acusados, prevaricação com o uso das operações para lucro pessoal e anseios políticos”.

O pedido de abertura da CPI da Vaza Jato é assinado pelos deputados André Figueiredo (PDT), Alessandro Molon (PSol), Daniel Almeida (PCdoB), Ivan Valente (PSol), Jandira Feghali (PCdoB), Orlando Silva (PCdoB), Paulo Pimenta (PT) e Tadeu Alencar (PT).

Segundo o regimento da Câmara, é necessário o apoio de um terço do total de deputados, o que corresponde a ao menos 171 assinaturas, para o pedido de instauração da CPI.

Caberá agora ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que vive uma relação tensionada com o governo, mas costuma agir em defesa de boa parte das pautas econômicas da gestão Bolsonaro, encaminhar a questão. Parlamentares aliados do governo tentarão adiar o quanto puderem a instalação do colegiado.