Onyx elogia ditadura Pinochet e políticos chilenos reagem

Segundo ministro, nas bases para mudanças no Brasil correu sangue do presidente, numa referência ao ataque a faca contra Bolsonaro

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 21/03/2019 23:21

No dia em que o presidente Jair Bolsonaro (PFL) iniciou uma visita oficial ao Chile, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, elogiou nesta quinta-feira (21/3) a política econômica adotada pelo ditador Augusto Pinochet e disse que ele “teve de dar um banho de sangue”. Em entrevista à Rádio Gaúcha, o ministro disse que as bases macroeconômicas estabelecidas pela ditadura chilena perduram até os dias de hoje no país sul-americano e que elas não foram alteradas nem por “oito governos de esquerda”.

“No período de [Augusto] Pinochet, o Chile teve de dar um banho de sangue. Triste, o sangue lavou as ruas do Chile, mas as bases macroeconômicas fixadas naquele governo…já passaram oito governos de esquerda e nenhum mexeu nas bases macroeconômicas colocadas no Chile no governo Pinochet”, disse.

Segundo ele, no Brasil, para que ocorresse uma transformação, “só correu sangue do presidente”, em uma referência ao ataque a faca sofrido por Bolsonaro durante evento de campanha eleitoral promovido no ano passado, em Minas Gerais.

“No Brasil, infelizmente para o presidente, mas felizmente para toda a sociedade, para que a transformação chegasse neste momento, só correu sangue do presidente Bolsonaro, de mais ninguém. Mas, graças a Deus, ele está bem, está salvo, com a saúde em dia”, disse.

No final da entrevista, diante das críticas de ouvintes, a emissora de rádio deu a oportunidade para que o ministro esclarecesse o que quis dizer com “teve de dar um banho de sangue”. Ele respondeu que apenas lembrou que o Chile teve uma “revolução sangrenta” e disse que, provavelmente, “a turma da esquerda se incomodou” por ele ter reconhecido “algum mérito no governo Pinochet”.

“O Chile, para poder ser o que ele é hoje, com US$ 24 mil de renda per capita ao ano, um país que tem absoluta independência, que tem prosperidade, que tem educação de qualidade foram lançadas bases que permitiram que ele pudesse se consolidar”, disse. “E no Brasil, que o presidente teve de dar seu sangue? Ninguém ficou revoltado?”, questionou.

Desatino sem paralelo
Os presidentes das duas Casas legislativas do Chile reagiram fortemente às declarações de Lorenzoni. Ivan Flores, presidente da Câmara de Deputados do Chile, afirmou que as declarações de são “um desatino sem paralelo” e uma grave ofensa às vítimas da ditadura de Pinochet.

“A menção deste porta-voz do presidente Bolsonaro, um personagem importante do governo brasileiro, a um “banho de sangue” no Chile é uma afronta a todas as pessoas que perderam familiares, a todos que sofreram com as violações de direitos humanos”, disse Flores.

O parlamentar acrescentou que não acreditava “ter experimentado algo parecido” antes. “As declarações não têm justificativa alguma e merecem a condenação mais enérgica. Não sei se ele [Onyx] tentou reforçar declarações antigas de Bolsonaro”, comentou.

“Ofendem o país inteiro”
Jaime Quintana, o presidente do Senado chileno, classificou as declarações do ministro como “profudamente inamistosas”. “Não me lembro de declarações assim de um governo cujo mandatário pisou em solo chileno. Elas ofendem não só as vítimas das violações de direitos humanos, mas o país inteiro”, disse Quintana.

Os dois chefes parlamentares disseram que recusariam qualquer convite para participar de um almoço em comemoração ao aniversário de Bolsonaro (que completou 64 anos nesta quinta-feira), durante a visita do presidente ao Chile. (Com informações do Uol e do O Globo)

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