Na tribuna, Marcos do Val pede apoio contra “mídia carniceira” e silencia sobre contratação de namorada

Brunella Poltronier Miguez, a partir da relação com o senador, teve uma evolução salarial relâmpago. Senador omitiu informações sobre o caso

Vinicius Santa Rosa/MetrópolesVinicius Santa Rosa/Metrópoles

atualizado 19/06/2019 11:55

Na primeira sessão do Senado após a revelação de que usou sua influência para contratar a namorada, primeiro em seu gabinete e depois em diretoria da Casa, o senador Marcos do Val (Cidadania-ES) subiu à tribuna para protestar.

Durante fala de 16 minutos, ele não citou o caso, atacou o Metrópoles, veículo que revelou a história, e pediu “união” aos senadores para reagir ao que chamou de “imprensa carniceira”.

“Peço a todos os parceiros, os Senadores, que não fiquemos desunidos, que sejamos unidos, porque essa imprensa carniceira está lá fora, rondando, tentando pegar e destruir a imagem de cada um aqui dentro (sic)”, disse.

O Metrópoles publicou, no último domingo (16/06/2019), reportagem mostrando que a namorada do senador, Brunella Poltronier Miguez, teve um avanço salarial relâmpago desde que iniciou o relacionamento com Do Val.

No fim de 2018, ela recebia aproximadamente R$ 2,3 mil por mês no emprego que mantinha no Espírito Santo. Depois, já em Brasília, foi contratada pelo gabinete do político capixaba por R$ 8 mil e, na sequência, nomeada em cargo comissionado por R$ 10.805,49 no Senado, a pedido do senador.

O caso gerou grande repercussão, especialmente nas redes sociais. Apenas no Twitter, as postagens que destacaram a evolução salarial da namorada do político impactaram mais de 1,2 milhão de pessoas. Nas outras plataformas, que incluem as visitas ao próprio site, foram mais 1 milhão de acessos.

Nas redes sociais, milhares de internautas cobraram, a partir de comentários públicos, explicações do senador, que fez campanha empunhando a bandeira da nova política e do combate ao crime (veja).

 

Nesta segunda-feira (17/06/2019), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) disse ao Metrópoles, por meio de nota, que não sabia do relacionamento pessoal entre Do Val e Brunella quando recebeu a indicação do senador para a contratação da moça.

Davi Alcolumbre foi comunicado pelo senador Marcos do Val da contratação da servidora em questão sem qualquer menção à vida pessoal do parlamentar. O apoio de Davi Alcolumbre à contratação confiou na discricionariedade de Marcos do Val em defender a nomeação de uma servidora com a capacidade profissional e qualificação técnica suficientes para o exercício da atividade contratada”, diz trecho do documento.

Ataque ao Metrópoles
O senador Marcos do Val usou a tribuna durante dois momentos na tarde desta terça-feira para reclamar das publicações do Metrópoles. No primeiro momento, o senador aproveitou o ensejo da discussão sobre o decreto que flexibiliza o porte de armas para disparar contra o veículo.

“Este jornal [Metrópoles], e toda a sua equipe, estar me perseguindo, para mim, é porque estou no caminho certo, fazendo o trabalho certo e relatando projetos que essas pessoas que hoje estão aí, querendo sujar a minha imagem, sujar a minha honra e a honra da minha família e me colocar em situações para que eu possa pedir para desistir desse projeto (sic)”, prosseguiu.

Na segunda fala, Do Val interrompeu a sequência de senadores inscritos para discursar na tribuna e voltou a se queixar das matérias do site. A iniciativa ocorreu logo após repórter do Metrópoles fazer demanda oficial para ouvir a versão do senador a respeito de nova reportagem que detalhará viagem de 10 dias que o senador fez aos Estados Unidos às custas do Senado e levando a namorada.

Na sequência, ele disparou:

“Tenho sofrido ataques da imprensa, de uma imprensa irresponsável, de uma imprensa que foi criada dentro da Papuda chamada Metrópoles”.

Sobre a contratação de Brunella, Do Val afirmou ao Metrópoles, na ocasião da primeira publicação, que havia começado o romance após a contratação de sua conterrânea. E que depois de “se apaixonar” pediu a “amigos do Senado” que contratassem a moça. Em seguida, demitiu Brunella, que foi abrigada em uma das diretorias da Casa com aumento de R$ 3 mil, perfazendo, agora, salário de quase R$ 11 mil

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