Alcolumbre diz que contratou namorada de senador sem saber do romance

Presidente do Senado conta que Marcos do Val pediu vaga para ex-assessora na cota de indicações políticas e não avisou sobre relação amorosa

Vinicius Santa Rosa/MetrópolesVinicius Santa Rosa/Metrópoles

atualizado 17/06/2019 19:29

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), confirmou ao Metrópoles que foi ele quem autorizou a contratação da agora consultora legislativa Brunella Poltronier Miguez pela diretoria-geral da Casa. Segundo o democrata, o senador Marcos do Val (Cidadania-ES) o procurou pedindo uma vaga para a advogada como uma “indicação política” do seu partido. No entanto, Alcolumbre garante que não foi avisado da relação amorosa entre o parlamentar e Brunella.

Nesse domingo (17/06/2019), o portal mostrou que, apesar do atual romance entre os dois, a moça trabalhou no gabinete do senador do Cidadania por quase dois meses, e, após o casal assumir o namoro, foi exonerada.

No entanto, 20 dias depois ela foi recontratada pelo Senado e ganhou um aumento. Atualmente, ela recebe exatos $ 10.805,49. Antes de conhecer Do Val, porém, a advogada trabalhava no Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Espírito Santo (Ipem-ES), com um salário de R$ 2.300.

“Davi Alcolumbre foi comunicado pelo senador Marcos do Val da contratação da servidora em questão sem qualquer menção à vida pessoal do parlamentar. O apoio de Davi Alcolumbre à contratação confiou na discricionariedade de Marcos do Val em defender a nomeação de uma servidora com a capacidade profissional e qualificação técnica suficientes para o exercício da atividade contratada. Além disso, o currículo da servidora foi avaliado e aprovado pelo setor que ocupa atualmente, sendo em cargo comissionado de livre provimento, sem qualquer contrapartida do senador capixaba e sem qualquer ilegalidade registrada” disse o presidente do Senado, em nota.

Durante entrevista ao Metrópoles, o senador Marcos do Val explicou que a relação entre ele e advogada era puramente profissional no momento da contratação da servidora para o seu gabinete – no início, ela recebia um salário de R$ 5 mil, aumentado para R$ 8 mil apenas 20 dias depois. “Quando comecei a despertar o interesse por ela, entrei em conflito comigo. Não sabia o que era ilegal ou imoral”, afirma o parlamentar.

Segundo ele, após uma consulta ao Senado Federal, descobriu que não seria ilegal mantê-la em seu gabinete, já que relações de namoro não são caracterizadas formalmente como nepotismo. Mas, “para evitar qualquer resquício de imoralidade”, Do Val conta que escolheu exonerar a então assistente parlamentar. Na sequência, pediu a amigos da Casa para avisá-lo sobre uma vaga para o perfil da namorada. Um desses amigos foi o presidente Davi Alcolumbre.

O senador contou ainda que o relacionamento entre ele e Brunella tem pouco mais de um mês. Mas, nas redes sociais, seguidores de Do Val desconfiavam da relação desde janeiro deste ano.

Churrasco em março
À reportagem, Marcos do Val afirmou ainda que, antes de iniciar o namoro com Brunella Poltronier Miguez, a exonerou de seu gabinete. A demissão da assistente parlamentar aparece no Diário Oficial da União do dia 24 de abril. No entanto, no dia 16 de março, um domingo, a advogada acompanhou o senador em um churrasco dado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na residência oficial (foto em destaque). Os dois chegaram de mãos dadas ao evento. 

O churrasco foi classificado pelos presentes como um “almoço entre amigos” e não tinha a presença de funcionários e servidores dos parlamentares, apenas de familiares. No evento, estiveram chefes dos Poderes, ministros de Estado, senadores e deputados. O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), também marcou presença. Brunella e o senador conversaram com as autoridades, como mostram as fotos abaixo.