MPF teria abafado caso de membro da Lava Jato que pagou outdoor ilegal

Mensagens mostram que Deltan Dallagnol atuou para proteger o procurador Diogo Castor de Mattos

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atualizado 26/08/2019 13:01

Mensagens trocadas entre membros do Ministério Público Federal (MPF) apontam que o procurador Diogo Castor de Mattos confessou que teria pagado por um outdoor para promover a Operação Lava Jato. A peça foi instalada ao lado do aeroporto de Curitiba, no Paraná, e era ilegal. É papel do corregedor abrir inquérito sobre desvios de conduta de membros do MPF.

As conversas, que pela segunda vez apresentam áudios, foram publicados nesta segunda-feira (26/08/2019) pelo site The Intercept Brasil e fazem parte do arquivo da Vaza Jato, obtido junto a uma fonte anônima. O outdoor tinha o enunciado “Bem-vindo à República de Curitiba. Terra da Operação Lava Jato, a investigação que mudou o país. Aqui a lei se cumpre”.

O coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, intermediou conversas com Barbosa para proteger Castor de Mattos, mesmo sabendo da confissão de culpa. As mensagens indicam que o corregedor disse a Dallagnol que iria suspender apurações e manter o caso em segredo.

Castor de Mattos pediu afastamento da força-tarefa em 5 de abril. Para justificar a decisão, ele apresentou um atestado médico. Dias depois, a representação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) arquivou o caso de possíveis irregularidades no outdoor.  “A publicidade não foi contratada por nenhum membro do Ministério Público”, escreveu o relator Luiz Fernando Bandeira de Mello.

Quando o outdoor começou a chamar atenção, assessores de imprensa do MPF levaram o questionamento de jornalistas a Dallagnol, que negou envolvimento e completou que não era o caso de ir atrás de quem fez a propaganda. “Temos só que dizer que não é nosso e não sabemos de quem é, mas recebemos esse tipo de manifestação como sinal de carinho da sociedade ou algo assim”.

Dallagnol e o corregedor Oswaldo Barbosa voltaram a se falar pelo Telegram na semana seguinte. Mas o tom da conversa foi outro. Segundo as mensagens analisadas, naquele momento Barbosa foi informado de que Castor de Mattos confessara ser responsável pelo outdoor.

Com Castor de Mattos já fora do grupo, os procuradores debateram os problemas que o vazamento do caso poderia causar. “Esse assunto tem que ficar aqui. Não podemos falar com colegas, porque falarão com outros, que falarão com outros, e estaremos expondo o colega e a própria operação”, disse Dallagnol.

Áudio 1: traição
“O que ele fez foi uma certa traição. Falo para nós aqui. Ele traiu o grupo ao fazer uma coisa sem comunicar a todos”, disse o procurador Orlando Martelo, no dia 7 de abril deste ano, se referindo ao procurador Diogo Castor de Mattos. O grupo tinha como participantes, além de Dallagnol e Martello, os procuradores Paulo Galvão e Julio Noronha.

Áudio 2: repercussão
Apesar de considerar o fato uma traição, Martelo ressaltou que o colega poderia voltar para a Lava Jato, no futuro, se o caso não se tornasse um escândalo público. “A questão é se vai ter uma repercussão externa ou não”, disse.

Áudio 3: confissão
“Não existe essa história de vai chegar ou não vai chegar nele essa história do outdoor. Vai chegar nele porque ele confessou, relatou o fato para o corregedor”, disse Paulo Galvão em relação a Castor de Mattos. Ele também Também enfatizava aos colegas que o motivo oficial do pedido de afastamento era o tratamento de saúde.

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