Marcelo Ramos rebate Maia: “Só dá para adiantar o que está atrasado”

O presidente da comissão especial criticou a declaração do presidente sobre acelerar a votação do parecer da reforma da Previdência

Marcelo Camargo/Agência BrasilMarcelo Camargo/Agência Brasil

atualizado 29/05/2019 23:03

O presidente da comissão especial da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PR-AM), ressaltou que o calendário de trabalho do colegiado não está atrasado e, portanto, não tem nada para ser antecipado.

O deputado rebateu as declarações do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que disse na terça-feira (28/05/2019) que “seria muito importante” que o relator do texto, Samuel Moreira (PSDB-SP), antecipasse a divulgação do parecer.

“Só dá para adiantar o que está atrasado. O prazo que eu e o Samuel demos, para até o dia 15, continua valendo. Se ele entregar dia 1º, dia 13 ou dia 15, ainda estará dentro do prazo”, disse Ramos ao Metrópoles. O presidente da comissão afirmou ainda que esperava um contato de Maia, antes que ele falasse à imprensa.

“Podia ter me ligado ou ligado para o relator antes de falar isso à imprensa. Como vai antecipar algo que não está atrasado?”, destacou. Questionado se havia a possibilidade do relatório só ser apreciado em julho, Ramos disse que vai depender da disposição dos membros da comissão.

Isso porque, depois do feriado do dia 15 de junho, ocorrem as festas juninas, festividades que costumam esvaziar o plenário. “Vai depender se tiver quórum. E isso tem que ser costurado com os coordenadores de bancada e com as lideranças do governo”, complementou.

Caso não tenha número mínimo para seguir votação, pode ser que a análise do texto ocorra apenas na primeira semana de julho, explicou Ramos.

Centrão
Alguns parlamentares do Centrão saíram em defesa do presidente da comissão especial e afirmaram que a declaração de Maia causou constrangimento a Marcelo Ramos, uma vez que ele “tem mantido a ordem dos trabalhos” e “seguido à risca” o calendário estipulado.

O relator Samuel Moreira (PSDB-SP) também ficou surpreso com a afirmação de Maia sobre antecipar o parecer. Assim como Ramos, disse que ainda está no prazo para a produção do texto e que mantém conversas com lideranças para elaborar um relatório que seja aprovado pelo colegiado.

Sobre a possibilidade de divulgar uma prévia do parecer, Moreira afirmou ser uma boa maneira de ouvir críticas e comentários das lideranças partidárias sobre o relatório. “Sim, uma prévia do relatório dá para ouvir as opiniões dos parlamentares. Tenho conversado muito com todos, inclusive com os da oposição”, acrescentou.

Pacto pelas reformas
Depois do café da manhã que reuniu os presidentes da República, Jair Bolsonaro (PSL), e os do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli; da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), Maia deu o recado aos parlamentares, durante a reunião de líderes, de que um pacto pelas reformas seria proposto por Toffoli.

Entretanto, lideranças ainda não sabem o teor do texto, tampouco por quem será produzido e como será abordada a eventual aliança. O Centrão espera que o pacto seja pelo Brasil, pelo crescimento da economia e pela geração de empregos, sem abordar apoio específico para o governo. Assim como o bloco dos partidos independentes – composto pelo Podemos, Pros, PSC, Novo, Avante,Patriota e PV.

“O Rodrigo disse do pacto, mas falou que vai mostrar detalhado pra gente depois. Esperamos que seja um texto pela Previdência, pelo pacote anticrime, pela reforma tributária. Todos os assuntos que já éramos a favor no outro governo também. Mas precisamos ter acesso ao teor”, disse o líder do DEM, Elmar Nascimento (DEM-BA).

“Vamos continuar independentes, mas queremos saber o que terá neste pacto. Se for por uma agenda pelo bem do Brasil, estaremos abertos”, informou o líder do Podemos, José Nelto (GO). Para o deputado, o pacto é uma sinalização de que o governo quer se aproximar do Congresso. “Mas já houve um ensaio antes, quando queriam negociar emendas e nomeação de cargos, mas nenhuma das iniciativas foram efetivas”, justificou o líder.

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