Macri e Bolsonaro discutem Mercosul e crise na Venezuela nesta quarta

Será o primeiro encontro dos dois presidentes, após brasileiro assumir Presidência. Futuro do bloco dos países sul-americanos está em jogo

David Fernandez/EPADavid Fernandez/EPA

atualizado 16/01/2019 11:11

O primeiro encontro entre os presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL) e da Argentina, Mauricio Macri (foto em destaque), nesta quarta-feira (16/1), será cercado pelos detalhes de uma visita de estado. O líder argentino deve subir a rampa do Palácio do Planalto ainda pela manhã. Na sede do Poder Executivo brasileiro, Macri terá encontro privado com Bolsonaro e, em seguida, participará de reunião plenária, com a presença de ministros brasileiros e argentinos.

No Twitter, o presidente brasileiro falou sobre a visita do colega argentino e ressaltou a oportunidade de estreitar os laços entre ambas as nações.

Na pauta, negociações bilaterais relacionadas ao combate ao crime organizado e corrupção; defesa e indústria de defesa; desenvolvimento espacial e de satélites; energia nuclear; e dinamização do comércio bilateral.

Também vão ser discutidas medidas de flexibilização do Mercosul (bloco que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, uma vez que a Venezuela está suspensa momentaneamente). Mas um dos principais temas de debate deve ser a crise na Venezuela.

A delegação oficial da Argentina chega ainda nesta terça (15) ao Brasil, e é formada pelos ministros das Relações Exteriores, da Produção, da Defesa, da Fazenda, de Segurança e Justiça e dos Direitos Humanos. De acordo com a Casa Rosada, sede do Executivo argentino, Macri e comitiva saem de Puerto Madryn (Chubut) em direção a Brasília, sem escala em Buenos Aires.

Após o resultado das eleições, Macri foi um dos primeiros líderes estrangeiros a parabenizar Bolsonaro pela vitória nas urnas. Na ocasião, o presidente brasileiro agradeceu e retribuiu, mencionando a parceria entre Argentina e Brasil.

Mercosul
O futuro do Mercosul, integrado também por Paraguai e Uruguai, será tema da reunião entre Bolsonaro e Macri. Especialmente a possibilidade de os países membros adotarem regras que permitam acordos bilaterais entre integrantes do grupo, outros blocos e países, sem obrigatoriamente passar pela chancela do Mercosul.

Os dois líderes devem discutir também medidas para avançar as negociações do bloco que já estavam em curso até o fim de 2018, como é o caso com a União Europeia, além de propor uma agenda interna que inclua a simplificação da estrutura tarifária, a convergência regulatória e a diminuição de barreiras internas entre países membros.

Venezuela
A crise venezuelana está no foco das preocupações de Bolsonaro e Macri. Assim como o Brasil, a Argentina assinou, no âmbito do Grupo de Lima, que reúne 14 países, declaração conjunta em que não reconhece a legitimidade do segundo mandato do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e defende novas eleições.

A expectativa é que Brasil e Argentina mantenham, na reunião de amanhã, essa mesma sintonia em relação à situação na Venezuela, além de seguirem, juntos, trabalhando com a Organização dos Estados Americanos (OEA) pela transição democrática no país vizinho.

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