Lupi: esmagadora maioria do PDT defende expulsão de Tabata e “rebeldes”

Para presidente do partido, processo contra deputados que votaram a favor da reforma da Previdência deve demorar até 60 dias

Antonio Cruz/ABrAntonio Cruz/ABr

atualizado 12/07/2019 18:49

O PDT divulgou nesta sexta-feira (12/07/2019), em sua página na internet e em redes sociais, um vídeo da convenção do partido em 18 de março, que aprovou o fechamento de questão contra a reforma da Previdência apresentada pelo governo de Jair Bolsonaro. A deputada Tabata Amaral (PDT-SP), que na última quarta (10/07/2019) votou a favor das mudanças na aposentadoria, estava presente ao encontro, realizado em Brasília.

A gravação mostra Tabata sorridente, ao lado do presidente do PDT, Carlos Lupi, que comandava os trabalhos. Na sequência há um corte na imagem e Lupi aparece perguntando aos convencionais quem era favorável a fechar questão contra a reforma da Previdência. Todos levantaram os crachás, e a proposta foi aprovada por unanimidade.

Tabata e outros sete deputados do PDT enfrentarão processo na Comissão de Ética do partido, a partir da próxima quarta-feira (17/07/2019), e correm risco de expulsão. Na convenção de março, Lupi chegou a questionar se havia alguém na plateia que gostaria de continuar a discussão sobre o assunto. Ninguém mais se manifestou, nem mesmo Tabata. “Quero registrar […] que foi aprovado por unanimidade dos presentes o fechamento de questão contra a reforma da Previdência”, discursou o presidente do PDT, na ocasião.

Lupi disse nesta sexta que o processo contra Tabata e seus colegas deve demorar de 45 a 60 dias nas instâncias do partido. “Mas todos terão direito de defesa”, ressalvou. “Aqui é democracia, e tudo o que fazemos é pelo convencimento. Não tem emenda, não tem método não ortodoxo que Bolsonaro disse que ia abolir e está liberando.”

Ao ser questionado sobre o argumento, usado por alguns deputados “rebeldes”, de que o texto-base aprovado pela Câmara é diferente da proposta original enviada pelo governo, Lupi foi irônico. “Isso está parecendo aquela história do governo, que tirou o bode da sala, o fim do Benefício de Prestação Continuada [BPC], e botou lá uma cama cheia de pregos para o trabalhador deitar”, afirmou ele.

O presidente do PDT afirmou, ainda, que “a esmagadora maioria” do partido defende a expulsão de Tabata e dos outros desobedientes, mas não confirmou a punição. A deputada integra o movimento Acredito, que apoia mudanças na aposentadoria. “Tem gente que já pergunta: mas ela obedece ao Acredito ou ao PDT?”, observou Lupi.

Na prática, o PDT teme perder força no Congresso porque há um entendimento em vigor no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) segundo o qual o partido não pode pedir de volta o mandato do parlamentar, mesmo que ele seja expulso. Se os oito deputados que votaram a favor da reforma da Previdência forem defenestrados, o PDT sofrerá importante revés, pois ficará com uma bancada de 19 deputados.

“Estou tentando construir uma saída, mas não posso dar prêmio nem salvo-conduto para quem votou contra uma determinação do partido, aprovada por unanimidade”, insistiu Lupi.

Últimas notícias