Análise: Tábata segue a trilha de Erundina, Beth Mendes e Heloísa

Deputada do PDT enfrenta situação vivida no passado por outras mulheres que confrontaram a orientação partidária em votações decisivas

Leonardo Prado/Câmara dos DeputadosLeonardo Prado/Câmara dos Deputados

atualizado 12/07/2019 14:03

Por ter votado a favor da reforma da Previdência, a deputada Tábata Amaral (PDT-SP) enfrenta discussão disciplinar no partido. A atitude da parlamentar passará por avaliação da Comissão de Ética da legenda nas próximas semanas. Em consequência, corre o risco de receber advertência ou, menos provável, ser expulsa.

No primeiro mandato eletivo, Tábata passa por situação semelhante aos embates travados no passado, por outras mulheres, com a direção do PT. Os casos mais marcantes tiveram como protagonistas a então deputada Beth Mendes (SP), em 1985, a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina – hoje deputada pelo PSol, em 1993, e a então senadora Heloísa Helena (AL), em 2003.

Beth Mendes integrava a primeira bancada de deputados federais do PT quando os ex-governadores Tancredo Neves (PMDB), de Minas Gerais, e Paulo Maluf (PDS), de São Paulo, disputaram a eleição indireta para presidente da República no Colégio Eleitoral. Na ocasião, a cúpula petista orientou por abstenção. Atualmente, Maluf cumpre prisão domiciliar por lavagem de dinheiro.

Beth e os parlamentares Airton Soares (PT-SP) e José Eudes divergiram da direção e votaram em Tancredo para derrotar Maluf, candidato da ditadura. Por causa da discordância, o partido instaurou um processo de expulsão e os três pediram desligamento.

Logo depois de transmitir a Prefeitura de São Paulo para Paulo Maluf, em janeiro de 1993, Erundina aceitou o convite do então presidente Itamar Franco para o cargo de ministra-chefe da Secretaria de Administração Federal. O político mineiro chegou ao Palácio do Planalto depois do impeachment de Fernando Collor de Mello e montou um governo de coalizão.

A decisão da ex-prefeita contrariou o PT e, por isso, fui punida pelo Diretório Nacional com um ano de suspensão dos direitos políticos. Erundina ainda concorreu a uma vaga no Senado, em 1994, e disputou a Prefeitura de São Paulo, em 1996, mas deixou o partido em 1998, quando se transferiu para o PSB.

A maior dissidência no PT se deu em 2003, primeiro ano da sigla no governo Federal. Assim como ocorre agora com Tábata, o conflito teve como causa uma reforma da Previdência.

Na época, setores da legenda não aceitaram defender propostas que contrariavam suas trajetórias políticas e parte de seus eleitores. Entre os descontentes, estavam Heloísa Helena e os deputados Babá (PA), Luciana Genro (RS) e João Fontes (SE). Expulsos do PT, o quatro fundaram o PSol.

O histórico de dissidências, com destaque para mulheres, mostra a dificuldade de sobrevivência política para quem entra em confronto com as direções partidárias. Dos casos citados neste texto, quem se manteve com mais relevância no cenário nacional foi Erundina, eleita para sucessivos mandatos de deputada.

Aos 25 anos, filiada a um partido da oposição, Tábata desafia esses antecedentes ao votar a favor de uma proposta do governo de Jair Bolsonaro (PSL).

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