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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou da cerimônia de posse da nova presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, na tarde desta segunda-feira (12/9), e disse, ao sair, que o Partido dos Trabalhadores vai ter que reaprender a fazer oposição.

“Não tenho dúvidas de que o PT vai fazer oposição. Se tiver alguma coisa que seja de extremo interesse da sociedade para colocar em votação, obviamente, que a bancada vai pensar direito, mas tentar resolver problema da crise mexendo no direito dos trabalhadores é inaceitável”, afirmou.

Lula voltou a lembrar que impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi um ato meramente político e classificou o afastamento da petista como um “crime”. “Com o impeachment, o Brasil aprendeu que ainda falta muito para consolidar o processo democrático. Um impeachment consagrado apenas por uma maioria política eventual, sem levar em conta a inexistência de crime de irresponsabilidade é crime, é grave”, disse. Antes de falar com a imprensa, o ex-presidente cumprimentou o advogado Antônio Carlos de Almeida, o Kakay.

Manoela Alcântara/Metrópoles

Lula deixa o STF após posse de Cármen Lúcia

Enquanto Lula conversava com os jornalistas, um movimento com cerca de 20 pessoas manifestava fora do STF pedindo a prisão do ex-presidente. Ele disse que as manifestações fazem parte do democrático. “Tudo que quero na vida é que o povo se manifeste”, ressaltou. O ex-presidente ainda lembrou que o movimento “Fora Temer” deve continuar por um tempo e que o peemedebista terá que fazer um esforço para superar a crise financeira a qual vive o Brasil.

Sobre a afirmação do ex-advogado-Geral da União Fábio Medina Osório à Revista Veja da última sexta-feira (9/9), na qual afirmava ter sido demitido porque o governo de Michel Temer quer abafar a Lava Jato, Lula afirmou que “cada um é responsável pelas suas palavras”. Por fim, ressaltou que não vê problema em conversar com  Temer: “Mas não vejo necessidade de fazer isso agora”, ponderou.

Lula participou da cerimônia onde também estavam o presidente Michel Temer e outras autoridades, como o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o presidente do Senado, Renan Calheiros, o ex-presidente da República José Sarney, os três peemedebistas, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). Renan, Janot e Temer ficaram lado a lado na mesa de autoridades.

Discurso
Em sua posse nesta segunda, a ministra Cármen Lúcia, que foi indicada por Lula ao cargo de ministra em 2006, disse que o país vive um momento de travessia. Antes de saudar as autoridades, ela se dirigiu “à Sua Excelência, o povo”. A presidente do STF ressaltou que o país está vivendo um momento de mudanças. “É preciso que elas continuem e cada vez com mais pressa, sem perder o direito à presunção da liberdade. Garantir que os processos tenham começo meio e fim e não se eternizem em prateleiras emboloradas. O momento parece-me de travessia.” “O que todo mundo quer é um país mais justo. Cansamos de ser um país de um futuro que não chega nunca”, acrescentou.

A presidente do STF disse que a Justiça precisa ser ágil, mas sem perder os processos legais, garantindo o direito à defesa, ao contraditório. “O tempo é também de esperança. O povo está nas ruas pelos seus interesses. O que todos querem é um país mais justo. E isso será construído com a união de todos, na igualdade e na desigualdade. O Brasil que queremos deve ser a mesma pátria mãe gentil para todos os brasileiros e não apenas para alguns”, concluiu.

 

 

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