Jucá: “MDB não quer base, quer agenda” para debater projetos com União

Presidente da sigla disse que discussão sobre apoiar ou não Bolsonaro é passada: “Agora a discussão é temática, é por projetos”

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 04/04/2019 20:01

Presidente interino do MDB, o ex-senador Romero Jucá (RR) foi o último cacique partidário recebido pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira (4/4). Os encontros foram uma tentativa do chefe do Executivo federal de dialogar com o Congresso e criar uma base para aprovação dos projetos prioritários do governo, especialmente a reforma da Previdência.

Segundo Jucá, o objetivo é criar uma nova “modelagem” para a política. Conforme o cacique, o MDB espera que o governo tenha uma agenda econômica e social para o Parlamento. Jucá esteve no Planalto acompanhado dos líderes do MDB na Câmara, Baleia Rossi (MDB-SP), e no Senado, Eduardo Braga (MDB-RJ).

“É preciso construir uma nova modelagem na relação política. A modelagem anterior foi vencida pelas urnas”, afirmou o presidente do MDB. A conversa, de acordo com ele, seria institucional e não sobre a formação de uma base do governo. “O MDB não quer ser base, quer ter uma agenda. A questão de ser ou não ser base é uma discussão passada. Agora a discussão é temática, é por projetos”, completou.

Segundo ele, o MDB também não tem interesse em cargos ou ministérios – apesar de possuir um assento na Esplanada, com Osmar Terra no comando do Ministério da Cidadania. “O que queremos é construir uma agenda que faça com que o partido possa votar, com o governo sabendo da nossa posição, da nossa contribuição, e o povo sabendo das posições do MDB para construir um Brasil melhor”, afirmou.

“Mão estendida”
Jucá considerou a conversa positiva e disse que Bolsonaro foi “extremamente simpático”. De acordo com ele, não houve discussão sobre “nova” ou “velha” política. “Não existe nem nova, nem velha política. O que existe é a política, e a política tem de se construir com diálogo ao longo do tempo”, destacou o ex-senador roraimense.

Sobre a sugestão do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), para que seja formada uma espécie de “conselho” com líderes partidários, Jucá disse que a ideia representaria a abertura do diálogo entre o Planalto e o Congresso, independentemente do nome que se dê a essa articulação.

Jucá ainda avaliou que a iniciativa de receber os dirigentes partidários foi um passo importante para o governo. “Mostra uma mão estendida e um desprendimento para ouvir e conversar. Isso é fundamental em política. O governo pode cometer equívocos, mas não pode ser condenado por isso“, avaliou.

Segundo ele, o Planalto deve passar a ouvir mais para errar menos. “Quem dialoga erra menos”, completou.

Previdência
O presidente do MDB garantiu ainda que o partido não discutiu fechar questão em torno da reforma da Previdência. Para ele, ainda é necessário esclarecer os pontos que têm gerado mais atrito, como mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e na aposentadoria rural.

Para o MDB, conforme também destacou, a capitalização proposta pela equipe econômica ainda não ficou clara, e os integrantes da sigla querem “debater em profundidade” os temas mais conflituosos na comissão especial a ser formada na Câmara para apreciar a proposta.

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