Governo Bolsonaro agiliza liberação de verbas para aprovar reforma

Intenção é votar o projeto antes do recesso do meio de ano. Onyx prometeu R$ 40 milhões aos parlamentares

Vinicius Santa Rosa/MetrópolesVinicius Santa Rosa/Metrópoles

atualizado 28/06/2019 15:12

O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) começou, nessa quinta-feira (27/06/2019), a trabalhar internamente para liberar verbas com o objetivo de assegurar a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, antes do recesso marcado para 18 de julho. As informações são do jornal O Globo.

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, prometeu a líderes e deputados que liberaria R$ 10 milhões para cada parlamentar durante a votação da proposta na comissão especial, R$ 10 milhões na apreciação do texto no plenário da Câmara e outros R$ 20 milhões viriam até o fim do ano.

“O sistema está sendo ajustado e as emendas estão sendo cadastradas para a liberação da verba antes da votação na comissão”, disse à reportagem um parlamentar que pediu para não ser identificado.

Outro deputado afirmou que a demora na liberação das verbas é hoje o principal entrave à tramitação da proposta. Segundo ele, diante da “generosidade”, até mesmo estados e municípios poderiam ser incluídos na reforma.

O Executivo tem sido pressionado pelo Legislativo por isso. Além da articulação política do governo ter sido criticada por deputados e senadores, o ministro da Economia, Paulo Guedes, demonstrou não ter gostado do novo texto apresentado pelo relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP).

Apesar das faíscas, Guedes tem buscado se aproximar do Parlamento para tentar acalmar as pressões dos partidos do Centrão. O ministro almoçou nessa quinta-feira (27/06/2019) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), quando tratou da inclusão dos estados e municípios na reforma, além de um futuro pacto federativo.

O novo vice-líder do governo na Câmara, Herculano Passos (MDB-SP), negou, no entanto, que as verbas prometidas pela gestão Bolsonaro sejam para a compra de votos. “O governo tem que prestigiar quem apoia, isso faz parte da política. Ninguém é obrigado a apoiar, mas quem apoia tem que ter vantagens porque dá desgaste [defender essas matérias]”, comentou.

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