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O juiz Sérgio Moro informou nesta quinta (1º/10), em nota oficial, que já está deixando a Operação Lava Jato. Como aceitou o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para assumir o superministério da Justiça, Moro comunicou publicamente que “para evitar controvérsias desnecessárias, desde logo afasta-se de novas audiências”.

No próximo dia 14, o ex-presidente Lula iria ser interrogado por Moro no processo sobre o sítio de Atibaia – o petista é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. A audiência, agora, deverá ser realizada pela substituta de Moro, a juíza Gabriela Hardt.

Nascida em Curitiba, Gabriela se formou na Universidade Federal do Paraná e trabalhou como servidora da Justiça antes de ser empossada juíza em 26 de outubro de 2009. Começou atuando em Paranaguá, no litoral do estado. Em janeiro de 2015, nas férias de Moro, ela autorizou a quebra do sigilos bancário e fiscal da JD Consultoria, a empresa de José Dirceu. Em maio deste ano, foi a magistrada quem expediu um mandado de prisão contra o ex-ministro petista.

Na nota, Moro destaca que “a Operação Lava Jato seguirá em Curitiba com os valorosos juízes locais”. Moro conduziu a Lava Jato desde o início da grande operação, deflagrada em sua fase ostensiva em março de 2014, levando à condenação de políticos, empreiteiros, doleiros e administradores da Petrobras.

Sobre o convite de Bolsonaro, que aceitou após reunião na manhã desta quinta, Moro anotou. “Fui convidado pelo sr. presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas politicas para a pasta, aceitei o honrado convite.”

Moro deixa a toga após mais de duas décadas de carreira, mas se dizendo entristecido. “Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura.”

O juiz revelou o que o levou a tomar a decisão. “A perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito à Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão.”

“Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior.”