Exército virtual de Bolsonaro perde fôlego na defesa do governo

Depois de reduzir engajamento nas redes sociais, seguidores do presidente tentam unir população para atos em favor do chefe do Executivo

Foto: Igo EstrelaFoto: Igo Estrela

atualizado 18/05/2019 9:34

Para chegar ao Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) contou com o envolvimento de um exército de seguidores apaixonados e atuantes. Nas redes sociais, principalmente, o engajamento em torno do “mito” inflamou corações e assegurou a vitória na campanha de 2018.

Passados 140 dias da posse, o cenário sofreu significativa transformação. Setores que apoiavam Bolsonaro se decepcionaram com seu desempenho no Executivo. “O governo não pode continuar errando na política como está fazendo hoje”, postou no Twitter o Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que se destacou no combate aos mandatos da petista Dilma Rousseff e fez campanha pelo capitão.

A mensagem foi divulgada no final da tarde da quarta-feira (15/05/2019), quando os protestos contra o bloqueio das verbas para a educação levaram multidões para as ruas do país e animaram a oposição.  “O papo da balbúrdia ‘mitou’ para os bolsonaristas mais próximos, mas não convenceu quem é de fora da bolha”, registrou o MBL no Twitter.

Outro que pediu votos para Bolsonaro, o cantor Lobão também se distanciou do presidente. “Ele mostrou que não tem a menor capacidade intelectual e emocional para poder gerir o Brasil. É óbvio que o governo vai ruir”, afirmou o artista, também notório adversário dos governos do PT, em entrevista publicada pelo jornal nesta sexta-feira (17).

Desde o início da semana, os ventos sopraram contra o governo. Na segunda-feira (13), a imprensa divulgou que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra dos sigilos bancários do filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (PSL), quando exerceu mandatos de deputado estadual, de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, familiares, ex-funcionários de seu gabinete e empresas ligadas aos dois.

A decisão da Justiça incomodou o capitão e ajudou a impulsionar as manifestações do dia 15. Ao mesmo tempo, as pressões elevaram a tensão da família. Nesse ambiente, o presidente e outro de seus filhos, Carlos Bolsonaro (PSL), vereador no Rio de Janeiro, deram declarações nas quais abordaram a possibilidade de impeachment diante da dificuldade de equilibrar as contas do país.

O temor dos dois teve por base, principalmente, a resistência do Congresso em aprovar medidas que ajudem a resolver o problema fiscal. Em consequência, a hashtag impeachment subiu para os primeiros lugares das trending topics.

No campo em que os bolsonaristas há muito tempo são soberanos, a oposição começou a ganhar espaço. Esse foi um sintoma evidente da mudança de humor da população.

A volta das bandeiras vermelhas para as ruas forçou os governistas a ensaiarem uma reação. Mas, por enquanto, ainda tímida. Na sexta-feira (17) começara a circular nas redes sociais dois convites para uma manifestação pró-Bolsonaro no dia 26 de maio.

“Basta! Elegemos o presidente Bolsonaro e cansamos de ver os corruptos querendo sabotar”, diz o chamado virtual, escrito sobre uma foto do Congresso Nacional.

O outro convite prega o impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Tofffoli, e do ministro Gilmar Mendes. Também defende a aprovação do pacote anticrime enviado ao Congresso pelo governo.

Este panfleto é assinado pelo movimento Nas Ruas, mas a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), líder do grupo, nega a produção do convite. “Sei que há um evento neste sentido, mas o Nas Ruas não está nessa convocação”, afirmou a parlamentar ao Metrópoles.

Os autores dos convites não foram localizados pela reportagem. Mas a deputada estadual fluminense Alana Passos (PSL) confirmou ter iniciado uma mobilização para apoio a Bolsonaro no dia 26. “Sim, a mobilização está confirmada”, disse a parlamentar.

“Ingovernável”
No planejamento da deputada, o movimento a favor de Bolsonaro será nacional. Sem a participação dos grupos que ajudaram a colorir as ruas de verde-amarelo, Alana aposta no envolvimento de “populares” para organizar os atos em todo o país.

A necessidade de buscar apoio da população parece evidente neste momento do governo. O próprio Bolsonaro deixou isso claro ao longo da semana. Primeiro, quando abordou a possibilidade de impeachment.

Depois, na sexta-feira (17), o presidente divulgou pelo WhatsApp um texto apócrifo que diz que o Brasil é “ingovernável”. Caso ele pense assim, de fato, seus seguidores têm razões para tentar retomar as mobilizações que o levaram ao Palácio do Planalto.

Últimas notícias