Ex-assessor de Flávio depositou R$ 90 mil na conta da mãe: ela ignora

Mulher afirmou não se lembrar da transação e disse desconhecer o trabalho do filho com o até então deputado estadual na Alerj

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 17/05/2019 20:18

Após pedido de quebra de sigilo fiscal, o Ministério Público do Rio de Janeiro investiga o depósito de R$ 90 mil em espécie feito pelo policial civil Jorge Luis de Souza, que atuou como assessor do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), na conta da mãe, Nicelma Ferreira de Souza. A mulher afirma que não se lembra da transação, tampouco do emprego do filho o filho do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). As informações são do jornal O Globo.

Realizada em março de 2018, a transação ocorreu quando Jorge Luis ainda trabalhava para o então deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O MP carioca apura indícios de formação de organização criminosa, com desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.

A quebra de sigilos bancário e fiscal fazem parte da investigação que mira em verba desviada no orçamento da Alerj e supostamente era distribuída entre lideranças do gabinete de Flávio. Procuradores usam o depósito para rebater o argumento da defesa de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, de que uma parcela do salário de funcionários era devolvida para ser utilizada em contratações futuras de “assessores informais”.

Queiroz admitiu em depoimento fazer o “gerenciamento” para o chefe da parte restituída dos salários dos colegas. Segundo o MP, a quantia movimentada por Queiroz e Jorge Luís aponta que os vencimentos eram devolvidos às lideranças do gabinete do então deputado estadual. A prática, conhecida como “rachadinha”, é ilegal.

Ao O Globo, Nicelma Ferreira de Souza, a mãe de Jorge Luis de Sousa, mostrou-se surpresa sobre o depósito feito pelo filho em sua conta bancária. “Na minha conta? Não lembro, não. Entra em contato com meu filho porque eu não sei de nada disso”, afirmou à reportagem, ao telefone. E completou: “Entra em contato com o Bolsonaro… Deus está vendo. Se houve alguma coisa ilegal, Deus vai mostrar na hora certa”.

Ela negou ainda contato com a família Bolsonaro, e disse que não conhecia o trabalho do filho na Alerj. “Não sei, não. Meu filho nunca falou nada”, ressaltou. Procurado pela reportagem, Jorge Luis afirmou que não faria “nenhuma declaração no momento”.

Quebra de sigilo
Na lista de ex-funcionários de Flávio que terão o sigilo quebrado, estão Danielle Nóbrega e Raimunda Magalhães, irmã e mãe do ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado pelo MPRJ como miliciano e um dos líderes do Escritório do Crime.

A organização é suspeita de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol), executada em março de 2018. Foragido, o ex-policial é acusado de participação em vários homicídios, registrados em 10 anos. Ele já foi, inclusive, homenageado por Flávio na Alerj.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou ainda que outros servidores do gabinete de Flávio repassaram parte dos salários a Queiroz, na maioria das vezes em datas próximas ao pagamento na assembleia.

O MPRJ apura se o ex-assessor recolhia o dinheiro para si próprio ou para entregar a Flávio Bolsonaro.

O hoje senador Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz negam as acusações do Ministério Público.

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