“Eu sei que ele fazia rolo”, afirma Bolsonaro sobre Queiroz

Declaração foi dada durante primeira entrevista concedida pelo político como presidente da República, ao SBT Brasil

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atualizado 04/01/2019 10:10

Em sua primeira entrevista como presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) falou sobre o ex-assessor de seu filho Flávio, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Fabrício Queiroz foi apontado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como responsável por uma movimentação financeira atípica de mais de R$ 1,2 milhão em suas contas bancárias.

“Eu sei que ele fazia rolo”, admitiu Bolsonaro, que não negou a relação de amizade entre o ex-motorista e segurança do deputado estadual e senador eleito. “Sempre gozou de toda a minha confiança. E mais de uma vez emprestei dinheiro para ele, como emprestei para outros funcionários. Não vejo nada de mal nisso. E não cobro juros. Ele falou que vendia carros. Eu sei que ele fazia rolo. Mas quem vai ter que responder é ele”, acrescentou o presidente.

“O Coaf fala em movimentação atípica, mas isso não quer dizer que seja ilegal, irregular. Pode ser outra coisa. Mas temos que deixar bem claro: não são R$ 1,2 milhão. São R$ 600 mil. Agora, se tiver algo errado, que pague a conta quem cometeu esse erro. Mas nesse pente-fino que o Coaf passou na Câmara pegou 17 funcionários com movimentações atípicas. Teve quem movimentou até R$ 40 milhões e ninguém fala disso”, disse Jair Bolsonaro. “Mas é preciso reconhecer: quebram o sigilo bancário dele sem autorização judicial… E a exposição [do caso] foi para me atingir, mas tudo bem”, observou.

Contudo, Bolsonaro afirmou não querer contato com Fabrício Queiroz até que ele esclareça sua situação – e transações bancárias – ao Ministério Público do Rio de Janeiro, que abriu investigação sobre as denúncias apontadas pelo Coaf. O ex-assessor faltou ao depoimento duas vezes: para tanto, Queiroz alegou estar em tratamento contra um câncer e apresentou atestado médico. “Até porque, se eu for falar com ele, vão dizer que estou tentando aconselhar de alguma coisa ou de outra. Não quero contato com ele até que isso venha a ser esclarecido”, garantiu.

Em entrevista também ao SBT, antes da posse de Bolsonaro, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro tentou justificar como origem de seu dinheiro as vendas de carros usados que promovia. “Sou um cara de negócios, faço dinheiro. Compro, revendo, compro, revendo, compro carro, revendo carro”, disse Queiroz durante a entrevista.

A investigação
O relatório do Coaf foi anexado pelo Ministério Público Federal (MPF) à investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, realizada em novembro e que levou à prisão 10 deputados estaduais da Alerj.

Fabrício José Carlos de Queiroz foi exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro no dia 15 de outubro deste ano. Registrado como assessor parlamentar, Queiroz é policial militar aposentado e, além de motorista, atuava como segurança do ainda deputado, que se elegeu senador nas últimas eleições.

O Coaf informou que foi comunicado das movimentações de Queiroz pelo banco porque as transações são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” do ex-assessor parlamentar.

Uma das transações na conta de Queiroz citadas no relatório do Coaf é um cheque de R$ 24 mil destinado à primeira-dama, Michelle Bolsonaro. A compensação do documento em favor da mulher do presidente da República aparece na lista sobre valores pagos pelo PM.

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