Em live não programada, Bolsonaro encontra indígenas ao lado de Nabhan

No início, foi possível ouvir Nabhan orientando a não falar "garimpo". Após ouvir primeira liderança, Bolsonaro comentou que "fala até bem"

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atualizado 17/04/2019 20:05

Após participar de um evento religioso no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez uma transmissão ao vivo, pelo Facebook, ao lado de indígenas e do secretário Luiz Antônio Nabhan Garcia, de Assuntos Fundiários e Reforma Agrária do Ministério da Agricultura.

Ladeando os indígenas, Nabhan e Bolsonaro chamaram um a um para falar em frente ao celular. Bolsonaro atacou Organizações Não Governamentais (ONGs), que chamou de “picaretas”, e a Fundação Nacional do Índio (Funai).

Bolsonaro afirmou que pretende tratar os indígenas como “irmãos” e lutar que eles possam produzir nas suas terras. Atualmente, os territórios demarcados têm restrições para serem usados para produção comercial.

Após ouvir a primeira liderança, que se identificou como Arnaldo, do povo Paresí, de Mato Grosso. Segundo a Funai, a demarcação mato-grossense plantou 10 mil hectares de grãos na safra 2018/2019 e são um dos maiores produtores de soja do estado.

O presidente também afirmou que vai “acabar com a escravidão do índio por péssimos brasileiros e ONGs”. Segundo o presidente, ONGs internacionais vêm com interesses nas riquezas e visando lucro. Bolsonaro disse ainda que espera críticas de jornais internacionais com a “live”: “Não vai faltar jornais internacionais pegando essa live minha para falar besteira”, afirmou.

Para Abel Barbosa, dos Macuxi de Roraima, as ONGs “não querem deixar a gente trabalhar”. Ele disse ainda que “não quer ouvir falar” das organizações e que a Funai jamais foi visitá-los, para avaliar suas condições de vida. “Ficam proibindo criar gado e índio não pode ser fazendeiro”, reclamou.

Dos Xukuru, Rosélio disse a Bolsonaro que índios querem suas terras regularizadas e que não se “prejudique latifundiários e indígenas”. Dos Yanomami, Timóteo disse que os “brancos estão deixando os indígenas pobres” com os garimpos. Bolsonaro sugeriu, inclusive, regularizar garimpos e completou: “Meu pai foi garimpeiro. Eu também garimpei por esporte”.

Da terra indígena da Raposa Serra do Sol, em Roraima, Edneia convidou Bolsonaro para uma assembleia estadual da reserva, que o presidente prontamente aceitou. Ela também reforçou críticas às ONGs e comentou o evento que assistiram no Planalto: “Fomos abençoados por Deus com aquele culto maravilhoso”.

Bolsonaro citou ainda as riquezas de Serra Pelada, grande área de garimpo que foi aberta na década de 1980, mas disse que a área yanomami é rica. “Por isso que tem ONG dizendo que tá defendendo índio lá. Se fosse uma terra pobre, não teria ninguém lá, ninguém. Como é rica, tá lá esses picaretas internacionais, picaretas dentro do próprio Brasil, picaretas dentro do pobre governo, dizendo que protegem vocês”.

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