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O presidente Michel Temer (PMDB) e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciaram neste domingo (27/11) mais um acordo para evitar que o Congresso aprove anistia ao caixa 2 em campanhas eleitorais. Os três líderes oficializaram o pacto para que a proposta não seja incluída no projeto que trata das dez medidas contra a corrupção, iniciativa do Ministério Público, que foi apoiada por mais de dois milhões de pessoas.

De acordo com Temer, a decisão foi tomada após a comoção pública diante da proposta. “É preciso atender a voz das ruas”, afirmou em entrevista coletiva no Palácio do Planalto ao lado dos presidentes da Câmara e do Senado. “Não vamos patrocinar essa emenda. É impossível a Presidência da República sancionar matéria desta natureza”, afirmou.

Renan disse que os presidentes da Câmara e Senado concordam que “essa matéria não deve tramitar”, pois não é prioridade. Segundo ele, as matérias econômicas são prioritárias, e devem ser votadas para acelerar a retomada do crescimento.

Ao falar sobre a crise econômica, o presidente afirmou que os três irão “propor reformas para fazer com que o Brasil saia da recessão. Vamos incentivar a indústria, comércio e o agronegócio”. Temer diz que sua palavra “é o diálogo”, não só com o Congresso, mas com todos os setores. Ele diz que vai negociar a reforma da Previdência com os sindicatos.

A iniciativa visa dar uma mensagem de compromisso com o combate à corrupção num momento em que o próprio presidente da República enfrenta questionamentos éticos por conta do caso Geddel. Ao ser questionado sobre o problema gerado na cúpula de seu governo, Temer disse que o perfil do sucesso de Geddel da Secretaria de Governo será alguém de “boa conduta” e com bom diálogo no Congresso. Além disso, afirmou que é errado dizer que vai “assumir” a articulação política do governo, pois afirma sempre a ter feito com “muita naturalidade”.

Votação
A expectativa é de que o texto seja votado na terça-feira (29) pela Câmara. A proposta do MPF é que o caixa 2, termo popular dado à prática de não contabilizar despesas de campanha, seja tipificado como crime. Mas, nos bastidores, líderes partidários vêm articulando mudanças na proposta para que o procedimento deixe de ser punido.

Após tratativas com Temer, Maia e Renan se comprometeram a conversar com os representantes das bancadas no Congresso e desmobilizá-los. O objetivo é que o assunto seja resolvido no Legislativo.

 

 

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