Dino, Haddad e Boulos se unem para formar oposição a Bolsonaro

O grupo teve a primeira reunião em Brasília para traçar ações contra o governo e denunciar propostas que consideram antidemocráticas

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atualizado 27/03/2019 14:08

Um grupo de políticos de oposição se reuniu em Brasília nesta terça-feira (26/3) com o objetivo de definir ações críticas em relação ao governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Participaram da reunião dois ex-candidatos à Presidência da República: Fernando Haddad (PT-SP) e Guilherme Boulos (PSol-SP). Além deles, dois governadores: do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) e da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB). Também esteve presente a ex-candidata a vice, na chapa do PSol, Sonia Guajajara

Trata-se da primeira reunião do grupo que pretende ampliar a articulação com outros partidos. Ao final do encontro, eles divulgaram uma nota na qual criticam posturas de Bolsonaro, como o alinhamento aos Estados Unidos e as orientações de comemorar o golpe militar de 1964.

Em sua conta no Twitter, Haddad divulgou a intenção de unir o “campo progressista contra o projeto antinacional, antipopular é antidemocrático do atual desgoverno”, destacou o petista.

Lei a íntegra da nota divulgada pelo grupo:
“Reunidos nesta manhã em Brasília, realizamos um debate sobre o atual momento nacional, especialmente considerando o rápido e profundo desgaste do Governo Bolsonaro. Destacamos alguns pontos para reflexão de toda a sociedade:

Estamos atentos e mobilizados para evitar agudos retrocessos sociais, trazidos por esse projeto de Reforma da Previdência, centrado no regime de capitalização e no corte de direitos dos mais pobres.

Do mesmo modo, convidamos para a defesa da soberania nacional. Consideramos que por trás do suposto discurso patriótico do atual governo há, na prática, atitudes marcadamente antinacionais, como vimos na recente visita presidencial aos Estados Unidos.

Em face da absurda decisão do Governo Bolsonaro de “comemorar” o Golpe Militar de 1964, no próximo dia 31 de março, manifestamos nossa solidariedade aos torturados e às famílias dos desaparecidos. Sublinhamos a centralidade da questão democrática, que se manifesta na defesa do Estado de Direito, das garantias fundamentais e no repúdio a atos de violência contra populações pobres e exploradas, a exemplo das periferias, dos negros e dos índios. Não aceitamos a criminalização dos movimentos sociais, uma vez que eles são essenciais para uma vivência autenticamente democrática.

Nesse contexto, é urgente assegurar ao ex-presidente Lula seus direitos previstos em lei e tratamento isonômico, não se justificando a manutenção de sua prisão sem condenação transitada em julgado.

Por fim, essa reunião expressa o desejo de ampla unidade do campo democrático para resistir aos retrocessos e oferecer propostas progressistas para o Brasil.”

 

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