Depoimento de Palocci sobre desvios no BNDES está em alta no Twitter

Um dia depois de Levy negar à CPI do banco público na Câmara, Palocci delatou com detalhes como PT recebeu propina da Odebrecht

CELSO JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDOCELSO JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

atualizado 03/07/2019 12:12

O depoimento do ex-ministro Antonio Palocci à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o assunto mais comentado no Twitter brasileiro na manhã desta quarta-feira (03/07/2019), superando a repercussão da sessão da véspera da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, foi questionado por deputados.

Três dos dez principais assuntos discutidos na rede social se referem ao caso. Em segundo lugar nos Trending Topics do País está a #CaixaPretaDoBNDES, seguida pela expressão “500 bilhões”, que faz referência a um trecho do depoimento de Palocci sobre empréstimos do banco à Angola, e pelo nome do ex-ministro, quinta palavra mais publicada no Twitter. As menções são todas críticas às gestões anteriores e estão sendo utilizadas por parlamentares da base do governo Bolsonaro para diminuir a discussão em torno da audiência de Moro.

A hashtag #JuizLadrão e o nome do deputado que cunhou a ofensa ao ministro, Glauber Braga (PSol-RJ), que mais cedo figuravam entre os assuntos mais debatidos da rede, perderam força e foram para o nono e décimo lugar na lista por volta das 11h.

O Estadão/Broadcast confirmou, com dois deputados presentes no depoimento secreto de Palocci à CPI, que o ex-ministro afirmou que a nota de risco da Angola foi rebaixada para permitir ao BNDES aumentar o volume de empréstimos que atendeu a obras da Odebrecht no país africano. Palocci afirmou também que tratava de assuntos relativos ao banco diretamente com o ex-presidente da instituição Luciano Coutinho.

No Twitter, os comentários dos internautas se baseiam principalmente em uma nota do site O Antagonista que afirma que Palocci apontou que as gestões do PT distribuíram para as “empresas amigas” cerca de R$ 500 bilhões em troca de propinas. O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) escreveu que “enquanto os adeptos dos xingamentos, balbúrdia, cuspideira, maconhaço interpelavam o ministro Moro, Palocci fazia revelações bombásticas sobre Lula e toda a caterva”.

A deputada Carla Zambelli (PSL-RJ) também compartilhou a notícia e creditou às revelações de Palocci “o desespero da petralhada” na audiência que inquiriu o ministro Sergio Moro na terça.

Janaína Paschoal (PSL), autora do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e atual deputada estadual em São Paulo, aproveitou o ensejo para relembrar que “durante o impeachment, eu já falava do BNDES”. A deputada também disse que “as revelações de Palocci só surpreendem pelos montantes”.

Internautas também compartilham imagem de um tuíte antigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, datado de 28 de abril de 2017, no qual afirma que não tem nenhuma preocupação com delação porque “Palocci é meu companheiro há 30 anos, é um dos homens mais inteligentes desse país”.

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