Déficit na Previdência divide especialistas no MTalk

Houve discussão entre favoráveis e contrários à reforma já no ponto de partida: o sistema gasta mais do que arrecada?

Hugo Barreto/ MetrópolesHugo Barreto/ Metrópoles

atualizado 28/06/2019 13:59

O argumento mais utilizado pela equipe econômica do Governo Federal para defender a aprovação da reforma da Previdência é a necessidade de equilibrar as contas públicas. O déficit do financiamento do sistema de aposentadorias e seguridade social, porém, racha especialistas e parlamentares. Ontem, no MTalk Reforma da Previdência, evento realizado pelo Metrópoles, no Teatro dos Bancários, o tema gerou os maiores momentos de tensão entre os participantes da conversa.

A professora de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro Denise Gentil sustentou que, ao contrário do que o governo insiste em dizer, se houver a aprovação da proposta, a recessão vai aumentar e vai atingir também a classe média – e isso terminaria por prejudicar ainda mais a Previdência.

“Por causa da menor capacidade de consumo da família, vai ter menor estímulo ao crescimento. Essa é uma proposta para o mercado financeiro, que visa destruir a Previdência pública e transformar tudo em Previdência privada. Não são só os pobres que serão atingidos, a classe média também”, ressaltou.

Gentil disse ainda que fez um estudo baseado nos dados do INSS, do IBGE e da PNAD que revelou variáveis utilizadas pelo Executivo em relação às projeções do PIB. Ela criticou que não há transparência nos números do governo. “Primeira coisa que o modelo faz é projetar um PIB rastejante. É como se fosse acontecer um apocalipse na economia brasileira”, pontou.

Necessidade de crescimento

O economista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Eduardo Fagnani concordou com Gentil e cobrou do governo novos instrumentos para fazer a economia crescer. Ele citou as insenções fiscais e destacou o papel do governo de fiscalizar as fraudes.

“Há uma dose alta de subsídios, mas só o governo federal abre mão todo ano de 20% de sua receita com base em isenções fiscais às camadas de alta renda da sociedade. A sonegação no Brasil é cerca de R$ 500 bi por ano. O que acontece com a sonegação? Ela é premiada com refinanciamento”, acrescentou.

O subsecretário do Regime Geral de Previdência Social do Ministério da Economia, Rogério Nagamine Costanzi, e o presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PL-AM), retorquiram: as mudanças nas regras de aposentadoria ajudarão efetivamente no déficit das contas públicas. “Existe sim déficit da Previdência. Gasta-se mais que arrecada”, pontuou Constanzi. Com isso, o integrante da Economia disse que o governo tem que tirar dinheiro de outras áreas, como da saúde e da assistência social para bancar o sistema – o que prejudica a sociedade como um todo.

MTalk
O evento MTalk Reforma da Previdência foi realizado pelo Metrópoles como forma de aprofundar o tema da forma mais ampla possível. Não à toa, na descrição do evento, foi usada a frase: “Um debate para ajudar a construir o futuro do Brasil”.

Participam do debate o presidente da comissão especial da reforma da Previdência, deputado Marcelo Ramos (PL-AM); o economista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Eduardo Fagnani; a professora de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro Denise Gentil; e o subsecretário do Regime Geral de Previdência Social do Ministério da Economia, Rogério Nagamine Costanzi.

O evento foi patrocinado por Fonacate, Anfip, Assessor, Fenafim, Sindilegis, Unacon Sindical, Unafisco, Anape, Sinal, Adep-DF, Mosal e Sindicato dos Bancários do DF.

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