A 12 dias do 1º turno, presidenciáveis trocam ofensas em debate

Evento promovido por UOL, Folha e SBT reuniu oito dos 13 postulantes a presidente e foi o mais tenso até agora. Ainda haverá mais 2 embates

Gabriel Cardoso SBTGabriel Cardoso SBT

atualizado 26/09/2018 20:46

No debate promovido nesta quarta-feira (26/9) pelo portal UOL, o jornal Folha de S.Paulo e a rede de televisão SBT, os candidatos à Presidência da República finalmente entraram em confronto direto. Ataques, contra-ataques, ironias, diretas e indiretas. No terceiro bloco, Alvaro Dias (Podemos) investiu sobre Fernando Haddad (PT), chamando-o de representante de preso”, numa referência ao ex-presidente Lula, e disse que o PT é “medalha de ouro na olimpíada da mentira”. Haddad lembrou que Dias foi integrante do governo FHC, o que levou o candidato do Podemos a pedir direito de reposta, negado pela produção do debate.

Dos 13 candidatos, estiveram presentes ao debate: Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSol), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede).

Já no início, Guilherme Boulos (PSol) partiu para cima de Geraldo Alckmin (PSDB), perguntando: “Cadê a merenda?”, numa referência ao esquema de desvios e superfaturamento de compras de alimentos para escolas públicas em São Paulo durante a gestão do tucano no governo do estado. Alckmin retrucou: “Olha o nível do candidato que quer ser presidente”.

Por sua vez, Henrique Meirelles (MDB), provocado pelos jornalistas se iria dar um cargo ao presidente Michel Temer em seu governo, caso seja eleito, preferiu fugir da perguntas e dizer: “Escolho sempre equipes competentes. Sou ficha limpa”.

Treta entre Haddad e Dias
No terceiro bloco do debate, com os postulantes fazendo perguntas uns aos outros, houve o primeiro pedido de direito de resposta: após ser chamado “representante do preso”, Fernando Haddad lembrou a participação de Alvaro Dias na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e o candidato do Podemos se sentiu atingido.

Dias havia ressaltado que sua proposta de Imposto de Renda é de isenção para quem ganha até R$ 5 mil. “Haddad, você agora aparece com a mesma proposta. Como vai fazer, se o PT não fez?”. Na sua resposta, o petista colocou: “Tudo isso que mudou, Bolsa Família e Luz para Todos, saiu do governo do PT. O que faremos é mudar o lado da receita. O pobre paga muito imposto. Não temos como fugir disso, devemos melhorar as condições da classe trabalhadora”.

Alvaro Dias replicou: “O PT ganha medalha de ouro na olimpíada da mentira”. E disse que o partido “distribuiu pobreza”. Haddad contra-atacou: “O senhor foi senador do PSDB e apoiou FHC. No governo dele, vocês aumentara a carga tributária de 26% para 31% do PIB [Produto Interno Bruto]. Não aumentamos. Ao contrário, fizemos o povo ter acesso aos recursos públicos. O pobre, negro, mulheres chegaram à universidade por causa desses programas”.

O candidato do Podemos pediu direito de resposta, sentindo-se ofendido, mas não obteve êxito. Ao final do debate, disse que saiu do PSDB quando apoiou a CPI da Corrupção.

Mais embates
Antes, Geraldo Alckmin já havia ironizado a “eficiência” que Henrique Meirelles (MDB) disse ter alcançado em suas participações nos governos de Lula e Michel Temer. “Alguma coisa deu errado”, provocou o tucano.

O segundo bloco do debate foi menos tenso que o primeiro, com jornalistas dirigindo perguntas aos candidatos. O melhor momento se deu quando Henrique Meirelles foi questionado sobre qual seria o papel do presidente Michel Temer em seu governo, caso eleito, e se daria um cargo ao emedebista.

Meirelles se esquivou da pergunta e tergiversou: “Eu sempre escolhi equipe de primeira qualidade, todos aqueles que trabalharam comigo tiveram alto desempenho. Isto é, competência e integridade pessoal são fundamentais”, ressaltou. “Sou ficha limpa”.

O primeiro bloco do debate teve vários momentos de alta tensão. Já na primeira pergunta,  Boulos atacou o candidato tucano: “Alckmin, cadê o dinheiro da merenda?”. O cabo Daciolo ironizou Ciro Gomes pelo fato de o pedetista, depois de passar mal, ter se internado no hospital Sírio Libanês, e não no serviço público de saúde.

Marina Silva e Fernando Haddad trocaram farpas sobre o teto de gastos e a reforma trabalhista do governo Temer. Haddad disse que tudo isso teve a colaboração de Marina, já que ela teria apoiado o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “É muito engraçado você, Haddad, vir falar de impeachment quando foi você que pediu benção a Renan Calheiros para ser candidato”, respondeu a presidenciável da Rede.

Dinâmica
O debate teve três blocos de perguntas, sendo dois deles de embates direto entre os candidatos. Em outro bloco, os concorrentes serão questionados por jornalistas convidados.

O critério adotado para o convite aos participantes foi o da legislação eleitoral, que determina a presença de candidatos de partidos ou coligações que tenham ao menos cinco representantes no Congresso Nacional.

O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, foi convidado, mas não participará, pois permanece internado no Hospital Albert Einstein, onde se recupera do atentado que sofreu durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG), no dia 6 de setembro.

O debate do UOL com a Folha e o SBT foi o primeiro de uma sequência de três que encerram o primeiro turno. Os próximos serão realizados no domingo (30) pela TV Record, em São Paulo, e dia 4, pela TV Globo, no Rio de Janeiro.

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