Com Itaipu no centro de crise, Bolsonaro nomeia militar como diretor

Presidente nomeou o contra-almirante da Marinha Paulo Roberto da Silva Xavier para diretor administrativo da empresa

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atualizado 12/08/2019 20:27

No centro de um embate que pode levar ao impeachment do presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, a hidrelétrica Itaipu Binacional foi alvo de mudanças na gestão por parte do governo brasileiro. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) escolheu um militar para a direção da usina.

Nesta segunda-feira (12/08/2019), o contra-almirante da Marinha Paulo Roberto da Silva Xavier foi nomeado diretor administrativo de Itaipu. Ele substitui João Pereira, que ocupou o cargo por um ano e meio. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (12/08/2019).

Com essa última nomeação, Bolsonaro trocou todos os seis diretores de Itaipu, sendo quatro militares. Paulo Roberto tomará posse nesta terça (13/08/2019), em uma solenidade no Centro Executivo de Itaipu, em Foz do Iguaçu.

Esta é a segunda troca em Itaipu em menos de 10 dias. Na semana passada, a advogada Mariana Favoreto Thiele assumiu como diretora jurídica.

Formado pela Escola Superior de Guerra e com doutorado em ciências navais, Paulo Roberto foi diretor do Pessoal Civil da Marinha, ocupou o cargo de subsecretário de Ciência e Tecnologia e foi assessor-chefe de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha. Foi também adido naval na Argentina.

Em nota, a Itaipu comentou a reformulação da diretoria. “Todos contam com o apoio irrestrito do diretor-geral brasileiro que comanda Itaipu com uma política de austeridade em consonância às diretrizes do governo federal, obedecendo aos preceitos da boa administração pública; legalidade, impessoalidade, publicidade e eficiência”, explica o texto.

Entenda o caso de Itaipu
O governo paraguaio está balançado após um acordo entre Abdo Benítez com o governo brasileiro sobre a energia produzida na usina binacional Itaipu. A medida, assinada em maio, levou ao aumento da eletricidade no Paraguai.

Abdo Benítez, segundo a imprensa paraguaia, sabia que o acordo exigido pelo Brasil teria como resultado a alta nos preços. Ele teve supostas conversas vazadas pressionando a equipe para concluir o processo.

O presidente chegou a correr risco de impeachment. Contudo, não há, no momento, apoio político suficiente para aprovação da derrubada do mandatário.

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