Ciro ataca israelenses que teriam ajudado campanha de Bolsonaro

Político deu a declaração após evento na sede do PDT, em Brasília, para analisar os nove primeiros meses da atual gestão

Vinícius Santa Rosa/Especial para o MetrópolesVinícius Santa Rosa/Especial para o Metrópoles

atualizado 08/10/2019 14:51

O ex-candidato à Presidência da República nas eleições de 2018 Ciro Gomes (PDT) voltou a chamar empresas israelenses de corruptas nesta terça-feira (08/10/2019). Ciro deu a declaração após evento na sede do PDT, em Brasília, para analisar os nove primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro (PSL).

O ex-ministro foi questionado por jornalistas sobre reportagem do jornal Folha de S. Paulo que revelou suposto caixa 2 desviado das candidaturas femininas na campanha do mandatário do país.

“Bolsonaro tinha R$ 5,5 milhões de impulsionamento de propaganda e de fake news pelo WhatsApp. Impulsionados a partir de estruturas de informática da Espanha, pagos por empresas corruptas de Israel, dos EUA e da própria Espanha, organizados por esse Steve Bannon [ex-estrategista chefe do governo Trump]”, disparou.

Ciro fez pouco caso da reportagem, chamando-a de “trocado”. Ele ainda pediu ajuda para evidenciar o que chamou de “verdadeiro caixa 2 que fraudou as eleições brasileiras”.

Nessa segunda-feira (07/10/2019), a Confederação Israelita do Brasil (Conib) divulgou nota (leia a íntegra ao final da reportagem) condenando declaração feita pelo ex-ministro feita em uma rede social.

Nota da Conib censurando fala de Ciro Gomes:

“O ex-governador Ciro Gomes voltou a fazer acusações genéricas e sem comprovação alguma contra judeus. Depois de falar no início do ano em ‘corruptos da comunidade judaica’ e ser alvo de processo criminal por isso, aberto pela Conib e a SIC, Ciro agora fala em ‘empresas corruptas de Israel’ em post no seu Facebook.

Em mais uma manifestação preconceituosa, o ex-governador Ciro Gomes decidiu acusar ‘empresas corruptas’ de Israel por suposto financiamento ilegal da campanha do presidente Jair Bolsonaro. Impressiona a recorrência de Ciro Gomes nesse tipo de afirmação quando se trata de Israel e da comunidade judaica brasileira. Mas tudo tem limite. E o ex-ministro já passou desse limite. Sugerimos a ele que diga quais são essas empresas e pessoas e apresente comprovação de suas acusações. Acusações abstratas e genéricas provam apenas a postura preconceituosa de Ciro e deslegitimam o pedido de desculpas que ele fez recentemente após suas declarações antissemitas”, disse Fernando Lottenberg, presidente da Conib.

Últimas notícias