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Preso desde novembro do ano passado, acusado de corrupção, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral pretende virar universitário. Ele é um dos detentos que fará provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para Pessoas Privadas de Liberdade, nos dias 12 e 13 de dezembro – data de aplicação do Enem à população carcerária de todo o país. Ao todo, há 30.605 inscritos nessa fase do exame: 49 são do Sistema Penitenciário Federal. Segundo o jornal O Globo, o peemedebista tentará uma vaga no curso de história.

No mesmo dia do Enem, Sérgio Cabral deveria prestar depoimentos à Justiça Federal. Devido à coincidência das datas, a defesa do político apresentou recurso ao juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara do Rio, solicitando o adiamento das oitivas para os próximos dias 14 e 18.

Segundo a publicação, caso seja aprovado no Enem 2017, o ex-governador terá o direito de cursar sua segunda graduação: ele é formado em jornalismo. A mulher de Cabral, a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo (veja o casal na imagem em destaque), também pretende voltar à universidade. Advogada, ela fará o Enem com o objetivo de conseguir uma vaga em letras ou ciências sociais.

Recebeu, mas não pediu
Nesta quinta-feira (7/12), em novo depoimento ao juiz Marcelo Bretas, Sérgio Cabral voltou a negar as acusações de ter negociado pessoalmente propinas durante suas campanhas eleitorais. Ele admitiu ter recebido pagamentos indevidos, mas destacou jamais os ter pedido. Segundo o peemedebista, cerca de R$ 100 milhões a mais do que a quantia declarada oficialmente abasteceram sua campanha em 2010.

O Ministério Público Federal acusa-o de liderar organização criminosa que recebeu R$ 16,7 milhões em propina de empresas do ramo da alimentação. O caso é investigado na Operação Ratatouille, um dos desdobramentos da Lava Jato.

Na quarta (6), o empresário Carlos Miranda, tido como operador de Cabral, confirmou a existência de um esquema liderado pelo ex-governador para recolher propina de construtoras e prestadoras de serviço. O grupo, segundo ele, começou a agir quando Sérgio Cabral ainda era deputado estadual. Contudo, ao longo de sua gestão à frente do Rio de Janeiro, supostamente houve cobrança de 5% do valor dos contratos assinados com o Estado, sem vinculação com períodos eleitorais – o que desmentiria umas das principais alegações do peemedebista.

Miranda foi condenado a 25 anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, no julgamento final da Operação Calicute. Ele também foi considerado culpado e condenado a 12 anos de prisão, no julgamento final da Operação Mascate, por lavagem de dinheiro.

 

 

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