Bolsonaro avalia vender a Petrobras e privatizar os Correios

Incomoda o presidente o "monopólio" da estatal petroleira no setor de óleo e gás. Já a saúde financeira da empresa postal é alvo de críticas

Rafaela Felicciano/ MetrópolesRafaela Felicciano/ Metrópoles

atualizado 19/04/2019 10:53

Duas estatais centralizam o foco do governo federal para terem seus destinos traçados nos próximos meses. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem avaliado a venda da Petrobras e a privatização dos Correios. Técnicos do Ministério da Economia realizam estudos para orientar a decisão do chefe do Palácio do Planalto.

Durante a campanha, o pesselista foi categoricamente contra a negociação da petroleira. Já a venda da empresa de entregas chegou a ser cogitada, mas a ideia perdeu musculatura com a resistência de parte de integrantes do governo.

Agora, Bolsonaro deu a entender de que pode rever a situação das duas empresas. No caso da estatal de combustíveis, incomoda o presidente a falta de concorrência no mercado brasileiro. A Petrobras é responsável por quase 90% de todo óleo e gás produzido no país.

Ao blog da jornalista Natuza Nery, Bolsonaro deu indícios da movimentação que pretende fazer. O presidente afirmou que tem uma “simpatia inicial” pela venda. No entendimento dele, há uma contradição entre a defesa de um mercado livre e o monopólio da Petrobras. A declaração foi dada nessa quinta-feira (18/04/19).

Nas últimas reuniões da equipe econômica, o assunto tem aparecido de forma superficial. Após interferência do Planalto no reajuste do diesel e o risco de uma greve de caminhoneiros, o tema tende a ganhar mais força.

Nesta semana, em entrevista ao canal de notícias GloboNews, o ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou a mudança de rumo de Bolsonaro. “O presidente me mandou um negócio assim: nos EUA, 60 bandeiras, no Brasil, uma bandeira só, da Petrobras. Acho que ele quis dizer alguma coisa”, comentou.

Situação dos Correios
A inclinação também é válida para os Correios. A estatal amarga uma grave crise financeira e foi alvo sucessivo de casos de corrupção, como o Postalis, fundo de pensão da empresa. Durante a campanha, Bolsonaro chegou a dizer que havia uma “grande chance” de o governo se desfazer da companhia.

Segundo reportagem do jornal O Globo, publicada nesta sexta-feira (19/04/19), o critério do Palácio do Planalto para definir o que será vendido e o que permanecerá sob o controle do governo está ligado à saúde financeira. Palavra de ordem é manter somente as empresas mais valorizadas.

Entre 2015 e 2016, a estatal postal registrou perdas de mais de R$ 5 bilhões. Em 2017, os Correios voltaram a registrar lucro após quatro anos no vermelho, com resultado de R$ 667,3 milhões.

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