Servidores após ameaça de Guedes em extinguir Apex: “Desconhecimento”

Fala de ministro gera tensão entre servidores do órgão, que citam desinformação da equipe econômica sobre as ações da agência

atualizado 18/04/2019 11:35

Bruna Prado/Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu a extinção da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (Apex-Brasil). O órgão é ligado ao Ministério das Relações Exteriores e desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) vive dias de profunda crise.

Para se ter dimensão das dificuldades da Apex, em pouco mais de três meses, dois presidentes da agência foram demitidos. Para Guedes, o órgão não tem utilidade e deveria acabar.

Em entrevista veiculada na madrugada desta quinta-feira (18/04/19) pela GloboNews, o ministro foi categórico. “A Apex é um órgão redundante. Eu acho que o Itamaraty deveria fazer esse trabalho. Se ela viesse para mim, eu acabava”, destacou. A ideia é defendida por integrantes do governo e tem a simpatia de Bolsonaro.

Na manhã desta quarta-feira (17/04/19), a Apex e a Associação dos Empregados da Apex-Brasil (AEA) divulgaram uma nota conjunta de repúdio. Para eles, a vontade de acabar com o órgão é fruto do desconhecimento das atividades da agência.

“Nós, os empregados da Apex-Brasil, entendemos que só o desconhecimento pode gerar as críticas que recebemos. Nossos esforços ajudam o empresariado brasileiro a exportar e estamos orgulhosos de defender a imagem do Brasil e de seus produtos e serviços em todos os países do mundo”, rebate o texto.

Os servidores dizem, ainda, que o governo federal precisa compreender melhor a função da Apex. “Nos colocamos à disposição para mostrar o que somos e o que fazemos. Venham nos conhecer, nossa porta está sempre aberta”, ressalta a  nota.

Guedes acredita que o orçamento da agência poderia reforçar o caixa de outras áreas do governo. “Eles têm R$ 700 milhões para promoção comercial, e eu sempre achei que quem tem que fazer promoção comercial é o Itamaraty”, disse à TV.

A agência discorda. A Apex apresentou um balanço dos resultados dos últimos cinco anos e diz ter atendido 30 mil empresas, além de acumular exportações de US$ 280 bilhões – 25% do total exportado pelo Brasil.

Crise começa com disputa de poder
Mário Vilalva foi o segundo chefe da entidade a cair durante a gestão de Bolsonaro. A disputa de poder entre os executivos levou à instalação de portas de controle que impedem até a entrada do agora ex-presidente na ala onde estão os diretores de Gestão Corporativa, Márcio Coimbra, e de Negócios, Letícia Catelani.

Recentemente, Vilalva, ligado ao grupo dos militares do governo, publicou uma portaria para diminuir o poder e as atribuições de Coimbra e Catelani, que mantêm relação próxima com Ernesto Araújo.

Antes de Vilalva, Alex Carreiro foi demitido da presidência da Apex depois de bater de frente com o ministro Ernesto Araújo. Ele não durou uma semana no cargo. Inflamou a crise, o desligamento de funcionários comissionados da Apex e a convocação de aprovados no concurso realizado em dezembro de 2018.

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