Ao STJ, MPF diz que vazamentos são ilegais e não devem liberar Lula
Subprocurador da República avalia em parecer que, mesmo consideradas legais, as conversas não apontariam parcialidade contra o ex-presidente

Em parecer sobre recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anule a condenação no processo do triplex no Guarujá (SP), o subprocurador-geral da República Nívio de Freitas Silva Filho alega que não há como afirmar que o ex-juiz Sergio Moro foi parcial e defende que o pedido do petista seja negado.
Ele embasa a tese em dois argumentos principais. O primeiro, de que as conversas atribuídas ao então juiz e hoje ministro da Justiça e Segurança Pública e a procuradores da Operação Lava Jato, publicadas pelo site The Intercept Brasil e incluídas nos autos pelos advogados de Lula, não poderiam ser utilizadas como prova, por serem ilegais. E o segundo, de que, mesmo que sejam consideradas legais, nada nelas caracterizaria a parcialidade atribuída pela defesa a Moro.
“Em que pese todo o estrépito causado pela divulgação do suposto conteúdo – cuja veracidade é contestada e cuja ilegalidade é certa, pois decorrente de ilegal espionagem perpetrada contra autoridades públicas -, o fato é que nada há que sinalize tenha havido qualquer conduta do magistrado que possa macular seu proceder no feito, eivando-o de parcial ou ilegal”, escreveu o subprocurador.
Silva Filho também sustenta que a condenação do ex-presidente foi avaliada e mantida por duas outras instâncias, após Moro, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e o próprio STJ.
Lula está preso desde 7 de abril do ano passado, na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO parecer faz parte da etapa em que são interpostos embargos de declaração, usados para apontar erros ou contradições em sentença judicial. Em março, a Quinta Turma do STJ reduziu a pena do ex-presidente Lula de 12 anos e um mês para 8 anos e 10 meses de prisão no caso do tríplex. (Com informações da Agência Brasil)



