Ao justificar cortes no MEC, Onyx erra dados sobre universidades

Ministro-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro acertou em seus comentários sobre a reforma da Previdência

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 07/05/2019 20:31

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, elogiou as medidas tomadas pela gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL), em entrevista ao programa Central GloboNews. O político afirmou não ter visto nenhum erro cometido pelo governo até o momento e criticou as administrações petistas. Ao ser questionado sobre o mau desempenho da economia e sobre a falta de articulação política do Executivo federal, pediu calma para contornar os problemas. A Lupa checou algumas das frases ditas por ele. Confira, a seguir, o resultado:

“[Em] Sergipe, Universidade Tiradentes [tem]: 28 mil alunos.”
Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, em entrevista ao Central GloboNews no dia 1º de maio de 2019

Segundo o Ranking Universitário da Folha (RUF), a Universidade Tiradentes tinha 33.417 alunos em 2018. O número real é 16% maior do que o citado pelo ministro.

A universidade tem cinco campi no Sergipe: dois em Aracaju e outros três, nas cidades de Itabaiana, Propriá e Estância.

Procurada para comentar, a assessoria de Onyx Lorenzoni não retornou.

 


“[A Universidade Tiradentes emprega] 250 doutores.”
Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, em entrevista ao Central GloboNews no dia 1º de maio de 2019

Segundo o Censo do Ensino Superior de 2017, a Universidade Tiradentes tem apenas 111 professores doutores, de um corpo docente total de 491 professores. Isso representa 22,6% do total. O número citado pelo ministro supera em 125% o real.

Procurada para comentar, a assessoria de Onyx Lorenzoni não retornou.

 


“[A Universidade Tiradentes tem] Quatro cursos com nota 5 de mestrado, quatro cursos com nota 5 de doutorado.”
Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, em entrevista ao Central GloboNews no dia 1º de maio de 2019

Segundo a Plataforma Sucupira, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Universidade Tiradentes tem cinco programas de pós-graduação stricto sensu, sendo quatro programas com mestrado e doutorado e um apenas de mestrado. Os quatro primeiros, nas áreas de educação, biotecnologia industrial, engenharia de processos e saúde e ambiente, têm conceito 5 na Capes. O programa de mestrado em direitos humanos tem nota 4.

A avaliação da Capes vai de 1 a 7 e leva em consideração a produção científica e a infraestrutura de pesquisa da instituição, entre outros fatores. São considerados programas de conceito 5 cursos de excelência nacional, enquanto os níveis 6 e 7 são de qualidade internacional. A avaliação é realizada a cada quatro anos, e cursos com nota inferior a 2 têm suas autorizações de funcionamento canceladas. Cursos com conceito 3 são considerados regulares. A nota 4 significa um curso de boa qualidade.

 
“[A Universidade Tiradentes tem] R$ 310 milhões de orçamento anual.”
Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, em entrevista ao Central GloboNews no dia 1º de maio de 2019

Segundo o Censo do Ensino Superior de 2017, o mais recente divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o custo total da Universidade Tiradentes naquele ano foi de R$ 354,6 milhões – 12% superior ao que diz o ministro.

Procurada para comentar, a assessoria de Onyx Lorenzoni não retornou.

 

“[A] Universidade Federal de Sergipe [tem]: 30 mil alunos.”
Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, em entrevista ao Central GloboNews no dia 1º de maio de 2019

Segundo o Ranking Universitário da Folha de 2018, a Universidade Federal de Sergipe (UFS) contava com 27.811 alunos matriculados. São seis campi: a Cidade Universitária, em São Cristovão, e os de Aracaju, Itabaiana, Laranjeiras, Lagarto e Serão, este último localizado em Nossa Senhora da Glória.

 
“[A UFS emprega] 1,5 mil doutores em tempo integral.”
Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, em entrevista ao Central GloboNews no dia 1º de maio de 2019

Segundo o Censo do Ensino Superior, a UFS tem 732 doutores, de um corpo docente total de 1.096 professores. O número mencionado pelo ministro é 105% superior ao real.

Procurada para comentar, a assessoria de Onyx Lorenzoni não retornou.

 

“[A UFS não tem] Nenhum curso de mestrado ou doutorado com nota 5.”
Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, em entrevista ao Central GloboNews no dia 1º de maio de 2019

Segundo a Plataforma Sucupira, a Universidade Federal de Sergipe (UFS) tem 50 programas de pós-graduação stricto sensu, o que representa 89% do total de programas no estado (56). Desses, dois atingiram conceito 5 na Capes: ciência da saúde e sociologia. Ambos oferecem cursos de mestrado e doutorado.

Procurada para comentar, a assessoria de Onyx Lorenzoni não retornou.

 
“Sabe qual é o custo [da UFS]? R$ 980 milhões.”
Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, em entrevista ao Central GloboNews no dia 1º de maio de 2019

Segundo o Censo do Ensino Superior de 2017, o mais recente divulgado pelo Inep, a UFS gastou um total de R$ 752,4 milhões naquele ano. O valor citado pelo ministro supera em mais de 30% o orçamento real da universidade.

Procurada para comentar, a assessoria de Onyx Lorenzoni não retornou.

 
“Hoje, Portugal é um dos países europeus que mais crescem.”
Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, em entrevista ao Central GloboNews no dia 1º de maio de 2019

Portugal não está entre os países europeus que mais crescem atualmente. Os dados da EuroStat, órgão oficial de estatísticas da União Europeia, indicam que o país teve um aumento estimado do produto interno bruto (PIB) de 2,1% em 2018. Com isso, ficou na 26ª posição entre 34 nações cujas informações já estão disponíveis.

O maior crescimento do PIB foi registrado na Irlanda, com 6,7%, e o menor, na Itália, com 0,9%. Os 28 países da União Europeia tiveram, juntos, 2% de aumento do PIB, em média. Já o crescimento das 19 nações da zona do euro ficou em 1,9%.

Procurada para comentar, a assessoria de Onyx Lorenzoni não retornou.

 
“As últimas pesquisas mostram aqui do ladinho, na Argentina, que a Cristina Kirchner pode voltar.”
Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, em entrevista ao Central GloboNews no dia 1º de maio de 2019

Pelo menos cinco levantamento eleitorais recentes divulgados na Argentina mostram a ex-presidente e senadora Cristina Kirchner à frente do atual presidente, Maurício Macri, nas intenções de voto. A disputa, no entanto, só vai ocorrer em 27 de outubro, e ainda não estão definidos quais candidatos vão participar. Por isso, é cedo para saber se Cristina tem chance de ser eleita novamente para comandar o país, atingido por uma inflação de 47% em 2018. A própria ex-presidente ainda não disse se pretende disputar o cargo.

Na rodada de pesquisas divulgada em 28 de abril, Cristina aparece à frente de Macri e de outros candidatos. A pesquisa do instituto Real Time Data registrou 37% das intenções de voto para a ex-presidente, contra 31% do atual. De acordo com o Opinaia, Cristina tem entre 29% e 30% nos cenários em que concorre com Macri, que varia de 24% a 25%. Contra Maria Eugenia Vidal (29%), no entanto, Cristina ficaria em segundo lugar, com 26%.

Outras sondagens, divulgadas em 14 de abril, também colocavam a ex-presidente na liderança da disputa. Pela Synopsis, a senadora alcançou de 35,9% a 39,8% em três cenários, contra 28,8% a 31,2% de Macri. Levantamento feito pelo consultor Ricardo Rouvier coloca Cristina com 33,4% e o atual presidente com 24,9%. E uma pesquisa do consultor Raúl Aragón identificou 28,5% das intenções de voto para a senadora, contra 23% para Macri.

Um levantamento de 2 de maio, contudo, mostrou Macri à frente de Cristina. A empresa Demos Consulting, que mantém contrato com o governo federal argentino, apontou o atual presidente com 37% e sua adversária com 33%.

Procurada para comentar, a assessoria de Onyx Lorenzoni não retornou.

 
“Quanto foi o déficit previdenciário do ano passado? R$ 280 bilhões.”
Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, em entrevista ao Central GloboNews no dia 1º de maio de 2019

Quando consideradas as receitas e despesas do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), responsável pelas aposentadorias do setor privado, do Regime Próprio da Previdência Social (RPPS), que paga as aposentadorias e pensões dos servidores federais, e as reformas e pensões dos militares, o déficit total foi de R$ 268,5 bilhões, número próximo ao citado pelo ministro. Os dados foram extraídos do Relatório Resumido de Execução Orçamentária de dezembro de 2018, elaborado pelo Tesouro Nacional.

As reformas dos militares, porém, não são, tecnicamente, aposentadoria. Ao contrário dos servidores civis, que obrigatoriamente contribuem para o RPPS, os militares contribuem somente com o custeio de pensões por morte. Quando se “aposentam”, ou seja, passam para a reserva remunerada (e, posteriormente, são reformados), continuam recebendo o soldo de seu último posto.

Além disso, a Seguridade Social registrou um déficit de R$ 280 bilhões em 2018. A área engloba tanto o RGPS quanto outras receitas e despesas. O orçamento da Saúde, por exemplo, está incluído dentro desse item, além do que é arrecadado com tributos como Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

 

“Até a pensionista militar vai contribuir [após a reforma da Previdência].”
Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, em entrevista ao Central GloboNews no dia 1º de maio de 2019

O projeto de lei encaminhado pelo governo federal propondo a reforma no sistema de proteção social dos militares, equivalente à Previdência Social, define uma alíquota de 10,5% de contribuição para os pensionistas. No sistema anterior, esse grupo pagava apenas 3,5% sobre o valor recebido, para o fundo de saúde dos militares. Os dois percentuais vão se somar, e os pensionistas passarão a ter 14% de desconto sobre o valor integral do rendimento bruto.

Últimas notícias